O novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu o alerta entre empresas exportadoras da região de Ribeirão Preto. A partir de 22 de julho, milhares de itens produzidos no Brasil passarão a pagar uma tarifa adicional de 25% para entrar no mercado norte-americano, medida que pode afetar diretamente setores importantes da economia regional.
Além dessa nova cobrança, os produtos brasileiros já enfrentam uma tarifa adicional de 10% desde o início deste ano. Alguns segmentos, como aço, alumínio e cobre, também já são tributados em até 50%, ampliando a preocupação com a competitividade das exportações.
Impacto regional
Entre os produtos da região que podem ser afetados estão açúcar e etanol orgânico produzidos pelas usinas, calçados fabricados em Franca, além de café, equipamentos industriais e máquinas produzidas em cidades como Ribeirão Preto e Sertãozinho.
Segundo o consultor em negócios internacionais Cléuber Rufino, a decisão dos Estados Unidos preservou produtos considerados estratégicos para o mercado americano, mas incluiu milhares de outros itens na nova lista de taxação.
“Os Estados Unidos adotaram uma política de deixar de fora produtos essenciais, que podem prejudicar demais as estratégias de comércio americano, e incluíram esses produtos para tentar barganhar alguns elementos que enxergam como negociáveis dentro do comércio.”
Empresas
Empresas que atuam com comércio exterior já acompanham os impactos da medida junto aos clientes da região. O diretor de comércio internacional, Laudelino Barbosa Neto, afirma que os Estados Unidos representam um dos principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos.
“Para todo o setor de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos são um grande importador do Brasil. Com essa taxação adicional, esse mercado pode acabar sendo direcionado para outros países.”
Uma empresa de Sertãozinho que fabrica equipamentos de precisão para automação industrial e exporta para 110 países também demonstra preocupação. Segundo o diretor-presidente Liban Carlos, a nova tarifa reduz a competitividade dos produtos brasileiros frente aos concorrentes internacionais.
“Nossos concorrentes, em sua maioria, são europeus e japoneses, que enfrentam uma taxa menor. Com mais esse aumento, fica muito mais difícil competir no mercado americano.”
Produtos taxados
Entre os produtos que permanecerão isentos da nova tarifa estão carne bovina, peixes, mel, hortaliças, frutas, cereais, bebidas, medicamentos, vacinas, fertilizantes, materiais plásticos, borracha, madeira, papel, além de alguns produtos médicos, farmacêuticos e da indústria aeronáutica.
Já entre os itens que passam a ser tributados estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, ferramentas de jardinagem, equipamentos de mineração, açúcar orgânico, produtos químicos diversos e manufaturados em geral.
A expectativa do setor é acompanhar os desdobramentos das negociações antes da entrada em vigor da medida, prevista para a próxima terça-feira (21).



