Estados Unidos são os principais consumidores de peixes do Brasil; Abipesca protocolou pedido para criação de linha de crédito
A Associação Brasileira da Indústria de Pescados alertou que as exportações para os Estados Unidos podem ser interrompidas caso não haja avanço nas negociações sobre a taxação de 50% imposta pelo governo americano. Ontem, a Hab. Pesca protocolou um pedido formal ao presidente Lula para a criação de uma linha emergencial de crédito de 900 milhões de reais, com seis meses de carência e pagamento em 24 meses, destinada às indústrias exportadoras de pescados.
Com a nova taxação, estima-se que cerca de 300 milhões de reais em produtos estejam parados entre pátios portuários, embarcações e unidades industriais. A Associação alertou que, sem uma resposta rápida, 35 indústrias e aproximadamente 20 mil trabalhadores, incluindo pescadores artesanais, podem ser impactados com cortes e paralisações.
Na região, empresas do setor já sentem os efeitos da medida. Uma empresa de pescados em Rifânea suspendeu parte das exportações para os Estados Unidos, que são os principais compradores do produto brasileiro no mundo. No ano passado, foram exportados mais de 9 milhões de dólares em pescados para o país, enquanto neste ano o valor caiu para 5,5 milhões de dólares.
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Juliano Kuptsa, diretor de uma empresa de pescados, explicou que a suspensão atinge diretamente produtos congelados enviados por navio, e que há contêineres ainda em trânsito com destino incerto. Ele destacou que o impacto afeta toda a cadeia produtiva, incluindo pequenos produtores que não exportam diretamente.
Francisco Medeiros, presidente executivo da Associação de Piscicultura Peixe BR, afirmou que os produtos congelados devem ser redirecionados para o mercado interno, o que pode causar queda nos preços e prejuízos financeiros, especialmente para pequenos produtores, que representam 98% da piscicultura brasileira.
Além do setor de pescados, pecuaristas de Barretos relataram suspensão nas vendas de gado para os Estados Unidos, que são o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, importando 12% do volume exportado pelo país, segundo o Ministério da Agricultura. O pecuarista Antônio José Prada Carvalho afirmou que as negociações com os Estados Unidos tornaram-se inviáveis.
O café brasileiro, um dos produtos mais exportados para os Estados Unidos, movimentou cerca de 1 bilhão de dólares entre janeiro e junho deste ano. Já o suco de laranja teve quase 42% da produção nacional comprada pelos Estados Unidos na última safra, totalizando aproximadamente 1 bilhão de dólares em transações. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos avalia a situação com cautela, destacando a dificuldade de substituir esse mercado.
O setor da construção civil também pode ser afetado. Em maio, houve saldo negativo de 154 vagas de emprego na cidade, segundo o Kged. O economista Edgar Manfort, da USP, apontou que a alta da taxa de juros, que chegou a 15% neste ano, desestimula a atividade produtiva e pode agravar os impactos econômicos, incluindo o aumento das tarifas de exportação para os Estados Unidos.
O ex-governador de São Paulo e atual ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que as negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos já começaram por canais institucionais. Ele ressaltou que o Brasil busca um acordo diplomático amigável e que a retaliação não é o foco neste momento. Sobre possíveis sanções às Big Techs, Alckmin informou que esse tema não foi tratado na reunião recente com representantes dessas empresas.
Principais pontos
- Taxação de 50% dos produtos brasileiros pelos Estados Unidos ameaça exportações e empregos.
- Pedido de crédito emergencial de 900 milhões de reais para indústrias exportadoras de pescados foi protocolado.
- Setores de pescados, pecuária, café, suco de laranja e construção civil já sentem impactos econômicos.
- Negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos estão em andamento, com foco em acordo amigável.
Entenda melhor
A taxação adicional de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros inclui pescados congelados, carne bovina, café e suco de laranja, setores que representam importantes volumes de exportação. O impacto afeta toda a cadeia produtiva, desde pequenos produtores até grandes indústrias, e pode provocar queda nos preços internos e aumento do desemprego. As negociações diplomáticas buscam evitar retaliações e encontrar soluções para o impasse.



