José Carlos de Lima Júnior comenta efeito das medida no mercado brasileiro, ressaltando retaliação da União Europeia às taxas
O presidente dos Estados Unidos, Tarifas de 25% sobre o aço, Donald Trump, implementou uma tarifa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, incluindo as provenientes do Brasil, medida que entrou em vigor um mês após a assinatura do decreto. Essa ação faz parte de uma política comercial mais rígida adotada pelo governo americano, que tem afetado parceiros históricos do país.
Em resposta, a União Europeia anunciou um pacote de retaliação no valor de cerca de 165 bilhões de reais, que passará a valer a partir de 1º de abril. Essa retaliação não se limita a produtos industriais, mas também inclui produtos agrícolas exportados pelos Estados Unidos, como frango, carne bovina, frutos do mar, ovos, açúcar e vegetais.
Essa situação cria uma oportunidade para os produtos agrícolas brasileiros, já que a retaliação europeia pode redirecionar a demanda para o Brasil. No primeiro bimestre de 2025, por exemplo, as exportações brasileiras de café para a França atingiram mais de 26 milhões de dólares, o maior valor em 10 anos, embora haja incertezas sobre o impacto das medidas comerciais em negociações futuras.
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Impactos para o agronegócio brasileiro
Até o momento, os Estados Unidos não aplicaram tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros, mas há preocupação com possíveis retaliações futuras. O café, que tem grande relevância nas exportações brasileiras para os EUA, pode ser afetado caso as tarifas sejam ampliadas.
Importações e insumos: Além das exportações, as tarifas e a instabilidade comercial podem elevar os custos de importação de insumos, especialmente de tecnologia e maquinário agrícola, muitos dos quais são produzidos por empresas americanas. A desvalorização do dólar pode tornar as importações mais baratas, mas a volatilidade cambial e a política econômica brasileira aumentam a incerteza.
Recomendações para produtores rurais: Diante do cenário de instabilidade e alta taxa de juros, especialistas recomendam cautela aos produtores rurais, evitando endividamento excessivo e planejando cuidadosamente as compras de insumos para a safra. Alternativas como crédito em bancos cooperativistas e mecanismos de troca de insumos, como a barca, podem ser opções viáveis para minimizar riscos financeiros.
Panorama
O contexto atual evidencia a complexidade das relações comerciais internacionais e seus efeitos no agronegócio brasileiro. A necessidade de previsibilidade para investimentos e a sensibilidade do mercado a decisões políticas ressaltam a importância de estratégias de gestão de risco para produtores e empresas do setor.