Sobre os impactos da decisão do Banco Central, confira a análise de Nelson Rocha Augusto na coluna ‘CBN Economia’
O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 1,5%, atingindo dois dígitos pela primeira vez desde 2017 e o maior valor desde maio do ano passado (11,25%).
Combate à Inflação
O Banco Central sinaliza um combate intenso à inflação, mesmo que isso implique custos para a economia. A alta da Selic, embora onere empresas e pessoas, é o mecanismo para atingir a meta de inflação abaixo de 5% em 2022 (meta central de 3,5%, com tolerância até 5%). Analistas projetam a inflação de 2023 próxima ao centro da meta, em torno de 3,25%.
Mudança de Ritmo
O Copom indicou a possibilidade de diminuir o ritmo de aumento da taxa de juros na próxima reunião. Isso se deve ao efeito cumulativo da alta da Selic e à expectativa de queda da inflação devido à baixa demanda, crescimento da produção agrícola e redução nos preços de energia. Há discussões no mercado sobre a possibilidade de o Copom parar de aumentar a Selic em breve, mantendo-a em um nível estável antes de iniciar reduções ainda em 2022.
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Impacto Internacional e Investimentos
A alta da Selic atrai investimentos estrangeiros para o Brasil, devido à maior rentabilidade e à perspectiva de queda da inflação e estabilidade cambial. Em janeiro, houve um influxo de quase 40 bilhões de reais para a Bolsa de Valores brasileira, impulsionado pela melhora do cenário econômico e pela expectativa de uma política econômica mais desenvolvimentista no futuro. As perspectivas para a eleição presidencial também influenciam esses investimentos.
A elevação da taxa Selic, embora impopular a curto prazo, demonstra o compromisso do Banco Central com o controle da inflação e a estabilidade econômica do país, atraindo investimentos e melhorando as perspectivas para o futuro, apesar das incertezas políticas.