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Taxa de alfabetização em Ribeirão Preto é de 97,95%

Índice é melhor do que a média brasileira, que fechou o trimestre com 92,5%; professora Soraya Pacífico analisa o cenário
Taxa de alfabetização em Ribeirão Preto
Índice é melhor do que a média brasileira, que fechou o trimestre com 92,5%; professora Soraya Pacífico analisa o cenário

Índice é melhor do que a média brasileira, que fechou o trimestre com 92,5%; professora Soraya Pacífico analisa o cenário

O Brasil enfrenta atualmente um desafio significativo relacionado ao analfabetismo, Taxa de alfabetização em Ribeirão Preto é de 97,95%, com cerca de 7% da população ainda incapaz de ler ou escrever. No entanto, essa taxa não é uniforme em todo o país, apresentando variações consideráveis entre os estados e municípios.

No estado de São Paulo, Taxa de alfabetização em Ribeirão Preto é de 97,95%, por exemplo, a taxa de analfabetismo é menor, em torno de 3%. Em municípios como Ribeirão Preto, o índice de alfabetização é elevado, chegando a 97,95%. Outras cidades da região também apresentam números próximos, como Franca (97,88%), Araraquara (97,62%), Barretos, Campinas (97,59%), São Carlos (97,5%), Sertãozinho (96,14%) e Puan (94,77%).

Contextualização dos dados de alfabetização

Para discutir esses números e entender suas implicações, a professora Soraya Pacífico, docente do curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP em Ribeirão Preto, destacou que o índice de 97,95% em Ribeirão Preto pode ser considerado positivo quando comparado à média nacional e regional. No entanto, ela ressalta que há espaço para melhorias.

“Se compararmos com a situação geral do país e principalmente das regiões, não tem como dizer que não seja um dado bom, mas ele pode melhorar sem dúvida”, afirmou a professora.

Ela também enfatizou a importância de ampliar a compreensão sobre alfabetização, destacando que o índice tradicionalmente utilizado para medir esse fenômeno costuma focar apenas na capacidade básica de ler e escrever, como a habilidade de escrever um bilhete simples.

“A gente não pode ficar olhando restritamente para um dado que foca a questão da alfabetização deslocada dos conceitos de letramento, de como as pessoas leem, escrevem e interpretam”, explicou Soraya Pacífico.

Alfabetização versus letramento: A professora destacou que ser alfabetizado em um sentido mais amplo envolve a capacidade de participar efetivamente das práticas sociais que envolvem a escrita, que permeiam o cotidiano da sociedade. Isso inclui a habilidade de compreender diferentes gêneros textuais e interpretar informações diversas sem depender da ajuda de terceiros.

“É poder participar efetivamente das práticas sociais que são, de modo geral, nas sociedades permeadas pela escrita, parte do nosso cotidiano”, comentou.

Ela apontou que os dados oficiais muitas vezes se baseiam em avaliações externas que medem apenas habilidades básicas, como o reconhecimento de letras e o preenchimento de sílabas, o que não reflete a complexidade do uso da língua escrita na vida cotidiana.

O fenômeno do analfabetismo funcional: Durante a entrevista, foi abordado o conceito de analfabetismo funcional, que se refere a pessoas que conseguem ler, mas não compreendem plenamente o que leem. A professora Soraya Pacífico confirmou que esse fenômeno ainda existe e pode ser ampliado para outras áreas, como o domínio das tecnologias.

“Sabe ler ou sabe escrever, mas não sabe dominar, por exemplo, as máquinas, a tecnologia”, exemplificou.

Ela também destacou que, nas escolas, especialmente nos anos iniciais de alfabetização, muitas crianças escrevem sem compreender o que estão escrevendo, sem fazer a relação entre letra, fonema, sílaba, palavra e texto.

“As escolas tradicionais começam a alfabetizar focando no código, mas a língua é viva, colocada em discurso e em uso. Se isso não acontece na escola, a criança aprende a copiar letras sem saber o que está copiando, sem saber ler”, explicou.

Essa limitação no processo de alfabetização tem consequências que se refletem em avaliações posteriores, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), onde muitos alunos demonstram dificuldades na produção de redações.

Desafios para a educação básica

A professora Soraya Pacífico ressaltou que a dificuldade na produção textual e na compreensão leitora tem raízes nos anos iniciais da educação básica e que a abordagem tradicional da alfabetização, centrada no reconhecimento do código escrito, não é suficiente para garantir o pleno domínio da língua.

“Isso é uma questão que vem desde os anos iniciais”, afirmou.

Ela defende uma visão mais ampla e integrada da alfabetização, que contemple o letramento e o uso efetivo da língua em contextos sociais variados, para que os indivíduos possam exercer plenamente sua cidadania e autonomia.

Entenda melhor

O conceito de letramento vai além da alfabetização tradicional, incluindo a capacidade de interpretar e utilizar a escrita em diferentes contextos sociais. O analfabetismo funcional, por sua vez, refere-se à situação em que a pessoa possui habilidades básicas de leitura e escrita, mas não consegue compreender ou utilizar essas habilidades de forma eficaz no cotidiano.

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