Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
O mercado de trabalho brasileiro apresentou estabilidade em setembro, com a taxa de desemprego mantendo-se em 7,6%, o mesmo patamar registrado em atrássto, conforme dados divulgados pelo IBGE. Apesar da aparente estabilidade, o índice representa o maior valor para o mês desde 2009.
Estabilidade em Meio à Crise Econômica
Em um cenário de forte retração da atividade econômica, com queda nas vendas e na arrecadação de impostos, a manutenção da taxa de desemprego em 7,6% pode ser vista como um alívio. Analistas acreditavam que haveria um aumento nesse índice. Um dos fatores que contribui para essa estabilidade é o critério do IBGE, que considera apenas pessoas que procuraram emprego nos últimos seis meses. Setores como a construção civil, com poucos lançamentos, levam muitos trabalhadores a buscar alternativas informais, sem procurar emprego formalmente.
Juros Mantidos em Patamar Elevado
Pela segunda vez consecutiva, o Banco Central optou por não alterar a taxa básica de juros da economia, mantendo a Selic em 14,25% ao ano. A decisão reflete um dilema entre controlar a inflação e evitar um impacto ainda maior sobre a economia. A inflação no Brasil permanece alta, próxima de 10% ao ano, impulsionada por aumentos de preços administrados e pela alta do dólar.
Leia também
Equilíbrio entre Inflação e Sacrifício Econômico
A elevação da taxa de juros poderia trazer a inflação para o centro da meta em 2016, mas a um custo social elevado, com aumento do desemprego e queda na atividade econômica. A decisão do Banco Central sinaliza que a taxa de juros será mantida em um patamar elevado para que a inflação convirja para o centro da meta, provavelmente em 2017. A expectativa é que o Congresso avance na aprovação de medidas fiscais, criando condições para um cenário econômico mais favorável em 2016.
Diante de um quadro complexo, as decisões buscam equilibrar a necessidade de controlar a inflação com a de mitigar os impactos negativos sobre a população e a atividade produtiva.