Por que durante a internação a desnutrição piora progressivamente? Nutrólogo comenta sobre as consequências e como tratar
A desnutrição hospitalar é um problema grave no Brasil, afetando entre 20% e 60% dos pacientes adultos. Em idosos e pacientes críticos, essa condição se agrava durante a internação, levando a complicações como piora da resposta imunológica, retardo na cicatrização e aumento de infecções e complicações cirúrgicas. Junho é o mês de conscientização sobre esse problema.
Desnutrição Hospitalar: Causas e Riscos
Segundo o Dr. Ricardo Borges, médico-nutrólogo e coordenador de terapia nutricional de hospitais em Ribeirão Preto, a desnutrição hospitalar ocorre devido ao aumento da demanda metabólica dos pacientes internados, combinada com a redução do apetite. Pacientes em recuperação de cirurgias, infecções ou acidentes precisam de mais nutrientes, mas frequentemente têm menos vontade de comer. Em muitos casos, a alimentação se dá por sonda ou intravenosa. A prevalência da desnutrição hospitalar é alta, atingindo de 30% a 60% dos pacientes, um problema observado também em outros países.
Fatores de Risco e Prevenção
Os principais fatores de risco incluem quadros inflamatórios agudos (infecções, cirurgias, traumas), que aumentam a demanda metabólica, e a dificuldade de acesso à alimentação adequada. Idosos são particularmente vulneráveis, devido à menor predisposição alimentar e maior suscetibilidade à redução do apetite. Procedimentos que exigem jejum também contribuem para o problema. Para combater a desnutrição, é crucial uma intervenção rápida, iniciando a terapia nutricional o mais breve possível, idealmente antes de 72 horas sem nutrição adequada. A demora no tratamento prolonga a internação e aumenta as complicações.
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É fundamental um trabalho integrado para cuidar da alimentação do paciente, tão importante quanto o tratamento da doença principal. A terapia nutricional adequada é essencial para uma recuperação completa. A abordagem inclui a gastronomia hospitalar, buscando oferecer refeições saborosas e atraentes, respeitando as necessidades nutricionais individuais e, sempre que possível, as preferências do paciente. Essa atenção à alimentação melhora a qualidade de vida do paciente e contribui para uma recuperação mais rápida e eficaz.


