Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
A taxa básica de juros do Brasil, a Selic, foi reduzida para 11,25% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir por um corte de um ponto percentual. Essa é a menor taxa desde outubro de 2014.
Queda da Inflação e Taxa de Juros Real
O economista Nelson Rocha Augusto comenta que, apesar de a redução poder ter sido maior, a decisão é positiva. A inflação está em queda, com a inflação corrente (desasonalizada e anualizada nos últimos quatro meses) na faixa de 3,51%. Mesmo com o corte, a taxa Selic ainda representa uma taxa de juros real acima da inflação em aproximadamente 7,75%, justificando uma cautela na redução.
Cautela Fiscal e Cortes Futuros
O comunicado do Copom indica a possibilidade de novos cortes na taxa de juros, provavelmente de 1% na próxima reunião em 31 de maio. A cautela se deve à necessidade de avanço no Congresso com as reformas estruturais para garantir maior segurança fiscal. Um Congresso produtivo pode levar a cortes ainda maiores no futuro.
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Impactos da Lista de Investigações da Lava Jato
A divulgação da lista de investigados da Operação Lava Jato, que inclui importantes figuras políticas, traz impactos positivos para a economia, segundo Augusto. Embora a situação seja grave, a transparência reduz a incerteza e a apreensão no mercado. A expectativa é que o Congresso trabalhe nas reformas estruturais, e a continuidade de Michel Temer na presidência até 2018 traz um nível de confiança para os agentes econômicos.
Em resumo, a redução da Selic, combinada com a clareza sobre as investigações em curso, contribui para um cenário econômico mais previsível, apesar dos desafios existentes. A expectativa é de continuidade na redução da taxa de juros, dependendo do andamento das reformas no Congresso.