Clayton Guimarães destaca a diminuição das relações comerciais entre Brasil e EUA, além de ressaltar incomodo de Trump com BRICS
O aumento tarifário anunciado pelos Estados Unidos, previsto para entrar em vigor a partir de 1º de atrássto de 2025, caso o presidente Donald Trump não recue, tem gerado preocupação entre empresários brasileiros devido aos possíveis impactos na economia nacional, especialmente no câmbio.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o superávit comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil alcançou US$ 1,7 bilhão no primeiro semestre de 2025, um aumento de aproximadamente 500% em comparação ao mesmo período de 2024. Desde 2001, a participação americana nas exportações brasileiras caiu de 24,4% para 12,2%, enquanto a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, com 28% das exportações.
Os principais produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos incluem óleo bruto de petróleo (14%), produtos semiacabados de ferro e aço (8,8%), aeronaves, principalmente da Embraer (6,7%), café (4,7%) e sucos de frutas e vegetais (3%). A região produtora de café no sul de Minas Gerais e a produção de suco de laranja no estado de São Paulo, que concentra quase 77% da produção nacional, podem ser diretamente afetadas pelas medidas tarifárias.
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O governo brasileiro anunciou uma política de reciprocidade às medidas dos Estados Unidos, o que pode resultar em aumento dos preços dos produtos importados, impactando o consumidor final. Além disso, a valorização do dólar, que subiu de R$ 5,40 para R$ 5,70 na última semana, pressiona ainda mais os custos dos produtos importados.
Principais pontos:
- Aumento tarifário dos EUA pode começar em 1º de atrássto de 2025, afetando exportações brasileiras.
- Estados Unidos possuem superávit comercial de US$ 1,7 bilhão com o Brasil no primeiro semestre de 2025.
- China é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, com 28% das exportações.
- Produtos como café e suco de laranja, importantes para regiões brasileiras, podem ser impactados.
Panorama
A medida tarifária dos Estados Unidos está inserida em um contexto maior de disputa econômica global, especialmente em relação ao bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O presidente Trump manifestou preocupação com o crescimento comercial do BRICS, que representa 39% do PIB mundial e 50% da população, e anunciou aumento de tarifas para países que mantêm relações comerciais com o bloco. Essa situação pode incentivar o Brasil a fortalecer suas relações comerciais com os demais membros do BRICS e outros mercados internacionais.