Diminuição da exportação aos EUA pode baratear produto no mercado interno, mas ameaça vagas de trabalho no setor
O anúncio do aumento das tarifas de exportação para os Estados Unidos gerou preocupação entre os pecuaristas da região de Barretos, importante polo da carne bovina no Brasil. Frigoríficos locais suspenderam a compra de gado diante da incerteza sobre os impactos da medida.
Antônio Prata Carvalho, pecuarista com 50 anos de experiência, destacou que os Estados Unidos são o segundo maior mercado para a carne bovina produzida em sua fazenda. Ele afirmou que a nova taxação inviabiliza os negócios com o país norte-americano, o que tem levado frigoríficos a suspenderem temporariamente as compras de animais para abate.
Segundo Antônio, os contratos já firmados ainda não têm definição sobre a aplicação da tarifa, o que aumenta a insegurança do setor. A alternativa apontada é a venda da carne no mercado interno, mas ele ressalta que essa adaptação tem sido difícil.
Leia também
- Tarifa dos eua afeta exportacoes brasileiras: Pecuaristas da região de Ribeirão Preto tem vendas de gado afetadas por tarifa de Donal Trump
- Tarifa dos estados unidos sobre pescados: Tarifas estadunidenses afetam diretamente os setores de pescado e gado na região
- Afeta de forma mortal, destaca diretor da CIESP Ribeirão Preto sobre taxas estadunidenses
Em 2022, o Brasil exportou cerca de US$ 1 bilhão em carne bovina para os Estados Unidos, valor três vezes maior que em 2020. Antes do anúncio do aumento tarifário, a projeção para 2025 indicava crescimento de mais de 70% no volume exportado, chegando a 408 mil toneladas.
O economista Edgar Montfort explicou que a redução das exportações pode aumentar a oferta de carne no mercado interno, o que tende a reduzir os preços para o consumidor. No entanto, ele alertou para o risco de desemprego no setor, já que a diminuição das exportações pode levar à redução de postos de trabalho nas unidades de abate e processamento.
Nilsson Roberto da Silva, diretor do Sindicato da Indústria de Alimentação de Barretos, confirmou que a medida preocupa, pois boa parte da economia local depende dos frigoríficos. Ele destacou que uma das empresas da cidade emprega cerca de 3 mil funcionários entre unidades produtivas e administrativas, e que a indefinição sobre o futuro gera apreensão no setor.
A medida, que pode entrar em vigor a partir de 1º de agosto, deve impactar diretamente várias cidades da região, incluindo Barretos, localizada a cerca de 200 quilômetros de Ribeirão Preto.
Pontos-chave:
- Frigoríficos de Barretos suspenderam a compra de gado devido à incerteza causada pelo aumento das tarifas de exportação para os EUA.
- Os Estados Unidos são o segundo maior mercado para a carne bovina da região, com exportações que somaram US$ 1 bilhão em 2022.
- Redução das exportações pode aumentar a oferta interna e reduzir preços, mas também ameaça empregos no setor.
- A medida pode entrar em vigor em 1º de agosto e impactar a economia local, que depende fortemente dos frigoríficos.
Entenda melhor
O aumento das tarifas de exportação, conhecido como “tarifaço”, foi anunciado pelo governo dos Estados Unidos e visa taxar produtos brasileiros, incluindo a carne bovina. A medida ainda não está vigente, mas já provoca efeitos no mercado e na cadeia produtiva da região.



