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Tecnologia do agro impacta na contratação e perfil dos trabalhadores

Mão de obra, que antes era básica, hoje a qualificação dos profissionais é indispensável; ouça o 'CBN Emprego e Oportunidades'
Tecnologia do agro impacta na contratação
Mão de obra, que antes era básica, hoje a qualificação dos profissionais é indispensável; ouça o 'CBN Emprego e Oportunidades'

Mão de obra, que antes era básica, hoje a qualificação dos profissionais é indispensável; ouça o ‘CBN Emprego e Oportunidades’

Nas últimas décadas, Tecnologia do agro impacta na contratação e perfil dos trabalhadores, a região do Vale do Ribeira, em São Paulo, passou por uma significativa transformação no setor do agronegócio, tanto no aspecto gerencial quanto digital. Essa mudança impactou diretamente o perfil das contratações, reduzindo a demanda por mão de obra básica e aumentando a procura por profissionais qualificados.

Um estudo realizado em 2021 pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), projetou uma demanda de 178 mil vagas digitais no setor do agronegócio até 2030. No entanto, apenas um terço dessas vagas deverá ser preenchido, indicando um descompasso entre oferta e demanda de profissionais qualificados.

“Esses profissionais, mesmo já empregados com carteira assinada, geralmente não se cadastram nem enviam currículos. São caçados pelo mercado, que cria uma competitividade entre as empresas por melhores remunerações, condições de trabalho e perspectivas”, explicou Dimas Facioli, especialista em emprego e oportunidades no agronegócio.

Redução de empregos informais e aumento da formalização

De acordo com um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o setor agropecuário perdeu cerca de 435 mil postos de trabalho entre 2022 e 2023, o que representa uma queda de 6,5%. Essa redução ocorreu principalmente no setor informal, enquanto o número de vagas formais cresceu 0,1%, indicando uma tendência de formalização das posições no agronegócio.

Para a mão de obra básica, a recomendação é buscar qualificação para continuar atuando no setor ou migrar para outras áreas, como o comércio local, que tem se aquecido devido ao crescimento do agronegócio. Já para profissionais qualificados, a remuneração média em estados polos do agronegócio, como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, é superior ou próxima à remuneração média da indústria paulista.

Crescimento real da remuneração no agronegócio: Desde o período pré-pandemia, em 2019, a agropecuária acumulou uma alta real de 11,3% na remuneração média, enquanto o mercado brasileiro como um todo teve uma expansão de apenas 1,5%, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas. Essa valorização está diretamente ligada à tecnificação e digitalização do setor, que exige profissionais capacitados para operar novas tecnologias e analisar dados.

Dimas Facioli ressaltou que a transformação digital no agronegócio cria novas profissões, como técnicos em agricultura digital, analistas de dados e especialistas em tecnologias aplicadas ao campo, que não existiam anteriormente. Essas mudanças geram oportunidades de emprego com remuneração diferenciada e maior qualificação.

Desafios na formação de profissionais qualificados

O estudo da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) indica que, até 2030, haverá uma demanda significativamente maior por técnicos em agricultura digital e engenheiros agrônomos digitais do que a oferta prevista. Por exemplo, para técnicos em agricultura digital, a demanda será de 120 mil profissionais, enquanto a oferta será de apenas 40 mil. Para engenheiros agrônomos digitais, a demanda será de 75 mil, com uma oferta estimada em 22 mil, representando um déficit de 84%.

“Vale a pena investir na formação desses profissionais, porque existirão muitas vagas no futuro próximo”, destacou Facioli.

Ele também comentou que a tecnologia não elimina empregos, mas transforma o mercado de trabalho, criando novas funções e exigindo constante atualização dos trabalhadores. A inteligência artificial, por exemplo, é uma nova etapa dessa transformação, assim como a mecanização foi no passado.

Importância da qualificação contínua: Para acompanhar as mudanças, os profissionais precisam se reciclar constantemente, mesmo estando empregados. A qualificação específica para as novas demandas do agronegócio digital é essencial para garantir a empregabilidade e a competitividade no mercado.

Além disso, as entidades de classe e sindicatos rurais têm papel fundamental em apoiar e promover a formação adequada dos trabalhadores, alinhando a qualificação às necessidades reais do setor produtivo.

Na região do Vale do Ribeira, o agronegócio foi responsável por quase 30% da massa de trabalho formal no país no ano passado, mas enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra qualificada. A demanda supera a oferta, o que reforça a necessidade de investimentos em educação e treinamento profissional.

Em resumo, a transformação digital no agronegócio brasileiro, especialmente na região do Vale do Ribeira, está mudando o perfil do trabalhador e exigindo maior qualificação. A tendência é que o setor continue crescendo e gerando oportunidades para profissionais capacitados, enquanto a mão de obra básica precisa se adaptar ou buscar outras áreas de atuação.

Entenda melhor
  • O agronegócio brasileiro projeta uma demanda de 178 mil vagas digitais até 2030, com apenas um terço a ser preenchido.
  • Entre 2022 e 2023, o setor perdeu 435 mil empregos informais, mas as vagas formais cresceram 0,1%.
  • Remuneração média no agronegócio cresceu 11,3% desde 2019, superando a média nacional.
  • Déficit estimado de 84% para engenheiros agrônomos digitais até 2030.
  • Qualificação contínua é fundamental para acompanhar as mudanças tecnológicas e garantir a empregabilidade.

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