Lígia Boareto, mestra em linguística e língua portuguesa, explica qual a forma correta de usar esses verbos; ouça o ‘Papo Certo’
Em participação no programa Papo Certo, a linguista Lígia Boareto esclareceu uma dúvida frequente sobre acentuação suscitada pela famosa letra de Luiz Gonzaga: “o baião tem um quê que as outras danças não têm”. A pergunta é simples: quando usar acento em formas dos verbos ter e vir — e como ficam os verbos derivados?
Ter e vir: singular sem acento, plural com circunflexo
A regra para os verbos ter e vir é direta. Nas formas da terceira pessoa do singular não se usa acento: ele tem, ele vem. Já na terceira pessoa do plural, as formas levam o acento circunflexo: eles têm, eles vêm. Exemplo prático citado no programa: “o baião tem” (singular) e “as outras danças não têm” (plural).
É importante distinguir ainda o verbo vir do verbo ver: “eles vêm” (vir) tem circunflexo no plural; “eles veem” (ver) escreve‑se com dois e, sem acento.
Leia também
Verbos derivados: acento no singular para evitar ambiguidades
Os verbos derivados de ter e vir (como deter, reter, manter, conter, intervir) seguem regra semelhante, mas com uma diferença prática: na terceira pessoa do singular a forma costuma aparecer com acento agudo (por ex., ele detém, ele mantém, ele contém) e no plural com circunflexo (eles detêm, eles mantêm, eles contêm). Essa marcação evita confusões com outros verbos de escrita ou pronúncia parecidas — por exemplo, “contém” (do verbo conter) versus “contem” (forma do verbo contar em outro contexto).
Lígia ressaltou ainda que o Acordo Ortográfico mais recente não alterou essas regras fundamentais para ter, vir e seus derivados: a diferença entre singular e plural, bem como o uso dos acentos para distinguir sentidos, permanece o mesmo.
Para quem busca uma regra rápida: ter e vir — singular sem acento (tem, vem), plural com circunflexo (têm, vêm). Nos derivados, atenção ao acento no singular para distinguir verbos semelhantes (detém/ detêm, contém/contêm).
Ao final da conversa, a explicação de Lígia Boareto foi apontada como suficiente para eliminar as dúvidas mais comuns sobre o tema, dando aos ouvintes uma orientação prática para a escrita cotidiana.