José Sebastião afirma que faltam leitos para acolhimento de pacientes; situação teria se agravado nas últimas semanas
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto enfrenta uma situação crítica de superlotação em sua unidade de emergência, conforme denunciado em ofício a diversas entidades. A situação, que se agravou após a região deixar o status de classificação vermelha para amarela na pandemia, tem gerado grande angústia entre os profissionais de saúde.
Superlotação e a falta de recursos
Segundo o professor José Sebastião dos Santos, especialista em saúde da Urca e professor da Faculdade de Medicina da USP, que trabalha na unidade de emergência, a superlotação resulta em filas para avaliação e tratamento, inclusive para cirurgias. A falta de leitos, salas cirúrgicas, anestesiologistas e outros profissionais agrava o problema. A situação é ainda mais preocupante devido à falta de prevenção de agravos de doenças, levando pacientes com problemas que poderiam ser tratados em ambulatório a necessitarem de internação prolongada.
A crise de pessoal e a falta de investimentos
A perda de funcionários durante a pandemia, sem reposição adequada, principalmente de anestesiologistas e enfermeiros, contribui significativamente para a crise. O professor destaca a falta de investimento em saúde, gestão ineficiente e a desigualdade no financiamento entre a saúde pública (SUS) e a saúde suplementar como fatores cruciais para a situação caótica. Ele critica a falta de planejamento e prevenção por parte dos governos, apontando cortes orçamentários em hospitais como um agravante da situação.
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O futuro da saúde e a formação profissional
A situação atual afeta diretamente a formação dos futuros profissionais da saúde. O cenário adverso de trabalho e a falta de perspectivas podem afastar estudantes das carreiras da área, perpetuando o ciclo de problemas. A falta de regulação na formação de especialistas e a desigualdade no financiamento da saúde são apontadas como fatores que impactam negativamente a qualidade do atendimento e a formação profissional. A superlotação também impacta no atendimento de pacientes com Covid-19, com a realocação de leitos e a necessidade de utilização dos mesmos recursos para atender demandas distintas.
A situação no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto ilustra a necessidade urgente de investimentos e melhorias na gestão do sistema de saúde pública. A falta de planejamento, a precariedade de recursos e a falta de pessoal qualificados resultam em um cenário de sofrimento para pacientes e profissionais, comprometendo a qualidade do atendimento e a saúde da população.



