Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (20)
Neste sábado, 20 de janeiro de 2018, o programa Almanac e CBN discutiu a saúde mental, em alusão ao Janeiro Branco.
Saúde Mental em Ribeirão Preto: Atendimento e Matriciamento
O psicólogo Marcos Vinicius Santos, coordenador da Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto, explicou o funcionamento do acompanhamento psicológico na cidade. Em Ribeirão Preto, o atendimento não se concentra na atenção básica, mas em serviços especializados. Utiliza-se o matriciamento, onde profissionais especializados dão suporte às equipes da atenção básica, que atuam como porta de entrada para os pacientes. A prevenção e promoção da saúde mental são trabalhadas em conjunto, com psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros interagindo com as equipes de saúde da família e unidades básicas.
CAPs e a Nova Política de Saúde Mental
Santos detalhou as mudanças trazidas pela revisão da política de saúde mental, incluindo a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). Ribeirão Preto já conta com um CAPs 24 horas para transtornos mentais (CAPs 3), com cinco leitos de acolhimento noturno. A nova política prevê a criação de um CAPs 4, de maior complexidade, voltado para municípios com mais de 500 mil habitantes, com atendimento 24 horas, leitos e serviço de urgência e hospital-dia. A implantação de um CAPs 24 horas para álcool e drogas também está em projeto.
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Prevenção, Escuta e o Papel da Medicação
A psicóloga Carolina Rangel abordou o uso de álcool e drogas na juventude, destacando que essas substâncias podem servir como forma de tamponar sofrimentos, como angústia e desamparo. A especialista enfatizou a importância da escuta e da intervenção precoce, alertando para os sinais de ideação suicida, que muitas vezes representam um pedido de ajuda. A medicação, embora necessária em alguns casos, não deve ser a única solução, devendo ser acompanhada de psicoterapia e outras formas de suporte. Rangel e Santos concordaram que a escuta é fundamental e que a medicação deve ser utilizada com cautela, evitando a medicalização excessiva do sofrimento. A prevenção, por meio da psicoeducação e conscientização da população, é crucial para evitar casos mais graves.
A discussão também abordou as dificuldades enfrentadas pelos homens em lidar com suas emoções e a vulnerabilidade de jovens em situações socioeconômicas precárias. Por fim, foi expressa preocupação com o direcionamento da nova política de saúde mental, que prioriza a internação em hospitais psiquiátricos e comunidades terapêuticas, o que é visto como um retrocesso em relação aos avanços da reforma psiquiátrica.



