Tempo de recuperação de lesão no joelho pode não ser suficiente para jogadores
As lesões no joelho representam um grande desafio para atletas de alto rendimento, especialmente no futebol profissional. A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é particularmente temida, não apenas por sua frequência, mas também pela gravidade e pelo longo período de recuperação necessário.
O Impacto das Lesões de LCA na Carreira de Atletas
Vários exemplos no futebol ilustram o impacto dessas lesões. Neymar, atacante da seleção brasileira, sofreu uma lesão em 2023 que afetou significativamente sua carreira. Éder Militão, zagueiro do Real Madrid, e Pedro, atacante do Flamengo, também enfrentaram a mesma lesão, afastando-se dos gramados por um longo período. Bruno Henrique, também do Flamengo, passou pela mesma situação. Esses casos demonstram como a ruptura do LCA pode interromper a trajetória de um atleta.
Tempo de Reabilitação e Retorno ao Campo
Um estudo da Escola de Educação Física e Esportes da USP de Ribeirão Preto levanta um alerta importante: o tempo de reabilitação após a cirurgia pode não ser suficiente para garantir que o atleta esteja totalmente preparado para retornar ao campo. Paulo Roberto Santiago, orientador do estudo, explica que, mesmo após o período recomendado, atletas que passaram pela reconstrução do LCA podem apresentar diferenças biomecânicas, especialmente na força e no ângulo do joelho.
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A Pressa no Retorno e os Riscos de Recidiva
A recuperação completa de uma lesão de LCA pode levar cerca de um ano, mas mesmo com esse tempo, alterações biomecânicas podem persistir. Inicialmente, a liberação para o retorno ao esporte ocorria entre seis e nove meses, baseada em avaliações de força. No entanto, a alta incidência de novas lesões, tanto no enxerto original quanto no ligamento contralateral, levou a uma abordagem mais conservadora, estendendo o tempo de recuperação para nove meses a um ano. A pressão para o retorno precoce, impulsionada por investimentos e expectativas emocionais, pode comprometer a recuperação completa e aumentar o risco de recidiva. O caso de um atleta do Inter, Corinthians e Seleção Brasileira, que retornou prematuramente e rompeu o outro ligamento, ilustra bem esse risco.
Embora o estudo revele diferenças biomecânicas persistentes após a reabilitação, determinar se um tempo de recuperação mais longo reduziria a incidência de novas lesões ainda é incerto. O estudo serve como um alerta para que atletas e profissionais da área estejam cientes dessas diferenças e adotem estratégias de treino que considerem o desequilíbrio entre os lados do corpo, visando minimizar o risco de futuras lesões.


