Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Rodrigo Prioli
A ocupação de um terreno de aproximadamente 363 mil metros quadrados, equivalente a 87 campos de futebol, entre as ruas Antônio José de Oliveira, Professora Brasileira Nute, João Vendrusco, e Avenida Antônia Mugnato Marinseque, nos bairros Ribeirão Verde e Diva Tarlá de Carvalho, em Ribeirão Preto, está prestes a chegar ao fim. Uma notificação judicial de reintegração de posse determina que a área seja desocupada até a próxima semana.
No último sábado, cerca de 700 famílias que construíram barracos no local protestaram contra a decisão, bloqueando a Rodovia Anguera por duas horas. O grupo atrásra ameaça invadir a Rodoviária e o Aeroporto Leite Lopes nesta segunda-feira, caso suas demandas não sejam atendidas pela prefeitura, conforme declarações do porta-voz do movimento Cidade do Trabalhador, Platini Nunes da Silva.
Tensões e Negociações em Torno da Ocupação
De acordo com Platini Nunes da Silva, o movimento está aberto à negociação, alegando que, inicialmente, havia três proprietários dispostos a negociar com os ocupantes. Ele afirma que a prefeitura interveio, resultando na desapropriação da terra. Os manifestantes cobram da administração municipal apoio com água e banheiros químicos, serviços que a prefeitura se recusa a oferecer, considerando a ocupação irregular por se tratar de área particular.
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Os ocupantes argumentam que o terreno estava abandonado há 20 anos. O secretário da Casa Civil, Laí Lucchese Junior, informou sobre os protestos iminentes e enfatizou que o diálogo só pode ocorrer dentro da legalidade. Ele criticou a utilização de movimentos organizados com cunho político para resolver a questão da moradia popular.
Projeto Habitacional em Andamento
Lucchese revelou que há um projeto em andamento para a construção de 750 apartamentos no local. Essas moradias fariam parte de um projeto que pode beneficiar famílias cadastradas no Movimento Livre Nova Ribeirão, registrado no Conselho de Moradia do Município. O líder do Movimento Livre Nova Ribeirão, Marcelo Batista, afirmou que já fez ocupações ilegais no passado, mas que atrásra estabeleceu projetos junto ao Conselho de Moradia Popular para a compra de terrenos e construção de casas com recursos do programa Minha Casa Minha Vida.
Alternativas e Perspectivas para o Futuro
Marcelo Batista criticou os invasores do complexo Ribeirão Verde, alegando que eles estão se aproveitando da situação e usando as pessoas para fins políticos. Ele garantiu que quatro áreas invadidas nos bairros Vila Virgínia, Parque Ribeirão e Jardim Progresso serão desocupadas. O movimento já adquiriu uma outra área no Jardim AItorrigão com financiamento da Caixa Econômica Federal, onde 450 casas já estão em construção.
Nos locais desocupados, haverá um acordo firmado com a Prefeitura e a Câmara Municipal para a construção de praças. O advogado especialista em gestão pública, Marco Aurélio Damião, defende um maior investimento da Cohab e da CDHU para suprir o déficit habitacional em Ribeirão Preto. Ele argumenta que a falta de planejamento e o abandono de áreas públicas e particulares favorecem o surgimento de novas favelas.
A Prefeitura de Ribeirão Preto informa que a cidade possui 40 favelas entre assentamentos antigos e novos, e que ações de reintegração de posse tramitam na justiça para recuperar as áreas públicas invadidas nos últimos anos.
A situação em Ribeirão Preto reflete a complexidade da questão habitacional no Brasil, onde a falta de moradia digna leva a ocupações irregulares e à necessidade de soluções que envolvam o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil.



