Quem explica a ‘positividade atrasada’ dos exames é o pesquisador e professor da Unesp Vitor Engracia Valenti
Nos últimos meses, um fenômeno vem se tornando comum no Brasil e no mundo: pessoas com sintomas de COVID-19 (tosse, coriza, febre) testam negativo em testes rápidos de antígeno, mas positivo alguns dias depois. A ausência de medidas de precaução, como isolamento e uso de máscaras, nesse período de resultado negativo, contribui para novas cadeias de transmissão e aumento de casos.
Testes de COVID-19: Precisão e Confusão
Existem três principais testes para detecção de COVID-19: o teste de anticorpos (que identifica se a pessoa já teve a doença), o teste de antígeno (que detecta partículas virais) e o PCR (considerado o padrão-ouro, com maior precisão). A confusão surge principalmente com o teste de antígeno, que pode apresentar resultados falso-negativos em casos de baixa carga viral, especialmente em indivíduos vacinados, que podem apresentar sintomas mas poucas partículas do vírus no organismo. O PCR, por sua vez, apresenta maior precisão, conseguindo detectar a COVID-19 mesmo em pessoas assintomáticas.
Autotestes: Confiabilidade e Uso Correto
Os autotestes de farmácia, embora práticos, possuem precisão variável (de 50% a 80%), sendo menos precisos que os testes realizados em unidades de saúde. A dificuldade em realizar corretamente a coleta da amostra em casa aumenta a chance de resultados falso-negativos. A recomendação é buscar orientação de um profissional de farmácia para a realização do teste, garantindo maior confiabilidade do resultado.
Leia também
COVID-19: Da Pandemia para a Endemia?
A COVID-19 parece estar em transição de pandemia para endemia. A vacinação, aliada à imunidade adquirida pela infecção natural, tem reduzido a letalidade da doença, aproximando-a de doenças endêmicas como a dengue. Embora menos letal que em fases anteriores, a COVID-19 continua a circular, sofrendo mutações que podem aumentar sua transmissibilidade e, possivelmente, sua agressividade. O monitoramento da doença permanece essencial nos próximos anos, com a possibilidade de surtos regionais.



