Adriana Silva relaciona a história do teatro com as casas de espetáculos da região de Ribeirão Preto; ouça a coluna!
Hoje, 12 de setembro, o Teatro Municipal de São Paulo celebra 111 anos. Projetado por Ramos de Azevedo, o teatro é um marco da cultura paulistana, mas não é o mais antigo da região. Vamos explorar a rica história de alguns teatros importantes do interior paulista.
Teatros Antigos: Mais Velhos que o Municipal
Enquanto o Teatro Municipal de São Paulo foi inaugurado em 1911, outros teatros na região o precedem. O Teatro Carlos Gomes, em São Simão, inaugurado em 1890, é um exemplo. Apesar de menor em tamanho, reflete a importância da cultura para a comunidade, com a imigração alemã, representada pela família Grasman (inclusive ancestral do artista Marcelo Grasman), desempenhando um papel crucial em sua construção e desenvolvimento. Restaurado em 2009, o teatro é administrado pela Prefeitura e abriga diversas apresentações culturais.
Ribeirão Preto e seus Teatros Históricos
Ribeirão Preto também possui uma história teatral rica. Antes mesmo do Teatro Pedro II, existiu o Teatro Municipal de Jabu-tikabal (atual Teatro Manuel Marques de Melo), inaugurado em julho de 1927. Assim como outros teatros da época, passou por períodos de grande atividade, declínio, e posterior restauração (em 2016). Já o imponente Teatro Pedro II, construído com investimento da Cervejaria Antártica na década de 1930, demonstra a pujança econômica da cidade, mesmo em meio à crise de 1929. Sua construção, porém, não foi totalmente concluída devido à falta de recursos. Apesar de seu objetivo inicial ser comercial, o Teatro Pedro II se tornou um importante centro cultural, passando por um auge, declínio (incluindo um incêndio na década de 1980), e finalmente, restauração em 1996. Considerado um dos quatro maiores teatros de ópera do Brasil, ele guarda um mistério intrigante.
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O Mistério do Lustre do Teatro Pedro II
A restauração do Teatro Pedro II trouxe à tona uma questão curiosa: o destino de seu lustre original. Devido à falta de registros fotográficos precisos, a equipe de restauração optou por uma criação contemporânea da artista Tomi Ohtake, que simbolicamente representa a água como antítese do fogo, o grande vilão da história do teatro. A ausência de informações sobre o lustre original, com teorias que vão de sua venda para a Europa à sua destruição no incêndio, permanece um enigma fascinante, adicionando um toque de mistério à rica história do teatro.
A trajetória desses teatros ilustra a importância da preservação cultural e o papel das artes cênicas na formação das cidades brasileiras, mostrando a resiliência e a adaptação ao longo do tempo.