Com artes espalhadas por toda a cidade, Thirso conviveu com Bassano Vaccarini, montava cenários, restaurava obras e muito mais!
Na última terça-feira, Thirso Cruz: falecido na última terça-feira (9), artista é referência em Ribeirão Preto, completou-se uma semana do falecimento do artista plástico e funcionário público aposentado Tirso Cruz, uma figura importante para a cidade de Ribeirão Preto. Suas obras estão espalhadas por diversos pontos da cidade, e ele é reconhecido por sua contribuição significativa à arte local.
Adriana Silva, que conviveu com Tirso em diferentes momentos, destacou sua personalidade disponível e comunicativa. Ela relatou que Tirso participou ativamente da equipe da secretaria e, posteriormente, da Academia de Letras e Artes, da qual ambos faziam parte. Apesar de ter enfrentado problemas de memória nos últimos anos, Tirso mantinha o hábito de contar suas histórias de formas variadas, o que tornava suas narrativas ainda mais interessantes.
Trajetória artística e influências: Um dos grandes marcos na carreira de Tirso Cruz foi sua relação com Bassano Vacanini, artista com quem conviveu no Rio de Janeiro no grupo de teatro da TBC, onde Tirso também atuava como cenógrafo. Além de desenhar e esculpir, Tirso criou peças teatrais e cenografias, demonstrando sua versatilidade artística.
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Após retornar a Ribeirão Preto, Tirso reencontrou Bassano em 1956, quando este veio preparar obras para a celebração dos 100 anos da cidade. A partir desse momento, os dois mantiveram uma longa troca de experiências. Tirso tornou-se uma espécie de restaurador oficial das obras de Bassano, sendo frequentemente consultado para opinar e realizar restaurações devido ao seu conhecimento aprofundado.
Reconhecimento e legado em Ribeirão Preto
Apesar da importância de Tirso Cruz para a arte local, Adriana Silva lamenta que ele tenha partido sem o reconhecimento merecido, uma situação que, segundo ela, é comum em Ribeirão Preto. Ela citou outros artistas locais, como Leopoldo Lima e Paulo Camargo, que também enfrentaram dificuldades para serem devidamente valorizados.
Nos últimos anos, Tirso recebeu o apelido carinhoso de “Tio So” e contou com o acompanhamento de parceiros da arte e grupos locais, que mantinham contato para acompanhar sua saúde. No entanto, seu final de vida foi marcado por certa solidão, o que entristeceu aqueles que admiravam sua trajetória e obra.
Tirso foi muito requisitado para a criação de bustos e restauração de monumentos arquitetônicos históricos em Ribeirão Preto. Um registro feito pela secretaria municipal em 2007 e atualizado posteriormente indica que ele participou de diversas intervenções nesse campo. Nos últimos anos, sua paixão mais recente foram os cachorros de rua, que ele acolhia e considerava seus amigos próximos.
Obras emblemáticas e pontos de visitação: Adriana Silva ressaltou que muitas pessoas passam pelas obras de Tirso sem saber que são dele, o que evidencia a falta de valorização da arte local. Ela mencionou obras de Bassano Vacanini, como as localizadas no Mercadão, para ilustrar a importância de reconhecer os artistas da cidade.
Tirso estimava ter pelo menos 56 obras espalhadas pela cidade. Entre os locais onde suas obras podem ser encontradas, destacam-se:
- Um Cristo de mais de 14 metros esculpido por Tirso, localizado na estrada que liga Ribeirão Preto a Cravinhos, próximo à entrada para Araraquara.
- As esculturas dos músicos no Morro de São Bento, que apresentam estilo semelhante ao de Bassano Vacanini.
- O Curupira, situado no Parque Curupira.
- A obra “Roberto Jábali”, também de Tirso.
- O “Caféiro”, uma obra mais recente na Via do Café.
- Uma escultura em homenagem a Santo Antônio, datada de 1996, localizada na Praça Santo Antônio.
- O monumento em homenagem ao motociclista na Avenida 13 de Maio.
Uma história curiosa contada por Adriana Silva é que Tirso recebeu uma encomenda para esculpir uma pessoa da família de um cliente. Mesmo sem receber uma fotografia para referência, ele conseguiu criar a escultura de memória visual, e o resultado foi considerado perfeito.
Panorama
Tirso Cruz faleceu aos 86 anos, deixando um legado artístico significativo para Ribeirão Preto. Sua obra, presente em diversos pontos da cidade, reflete uma trajetória marcada pela dedicação à arte e pela influência de importantes artistas como Bassano Vacanini. Apesar da falta de reconhecimento público em vida, sua contribuição permanece viva na paisagem urbana e na memória cultural da cidade.