Sebastião Lopes da Fonseca afirma que o imunizante deve ser atualizado periodicamente assim como a vacina da gripe
Após a confirmação da circulação da variante P1 do coronavírus, inicialmente identificada em Manaus, em Araraquara (SP), a prefeitura da cidade decretou medidas mais rígidas de isolamento social. A decisão se deve à alta ocupação de leitos de enfermaria e UTI no município.
Novas variantes do coronavírus: o que significa?
Segundo o médico infectologista Benedito Lopes da Fonseca, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, novas variantes significam diferenças no sequenciamento genético do vírus, mas ainda assim se trata do mesmo vírus causador da COVID-19. As mutações ocorrem principalmente na proteína spike, responsável pela infecção. Variantes como a britânica, a sul-africana e a brasileira (P1) já foram identificadas, sendo que novas variantes estão em constante descrição, como a recentemente identificada na Califórnia. A mutação é um processo natural da replicação viral, e o vírus de Wuhan, por exemplo, já sofreu mutações desde seu isolamento inicial.
Variante P1 e seus riscos
A variante P1, encontrada em Manaus e Araraquara, apresenta a mesma mutação da variante britânica, sugerindo alta transmissibilidade. Entretanto, sua maior semelhança com a variante sul-africana é preocupante, pois essa mutação pode interferir na resposta imune de quem já teve a doença ou foi vacinado. Estudos são necessários para avaliar a eficácia das vacinas contra essa variante. A situação se assemelha à da gripe, que exige novas vacinas anualmente devido às mutações virais.
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Medidas de prevenção e estudos em andamento
A análise da periculosidade das variantes envolve a comparação de casos graves com a variante em questão, além do sequenciamento de amostras virais ao longo do tempo. Estudos mostram que algumas mutações levam à morte viral, enquanto outras aumentam a capacidade de replicação e causam doenças mais graves. Em relação às vacinas, a vacina da AstraZeneca foi suspensa na África do Sul devido à baixa proteção contra a variante sul-africana. A CoronaVac, por ser feita a partir de um vírus inteiro, pode oferecer maior proteção contra as variantes, pois induz anticorpos contra vários pontos do vírus. A transferência de pacientes de Manaus para outros estados, devido ao colapso no sistema de saúde, levanta questionamentos sobre a disseminação da variante P1, embora não seja possível afirmar com certeza se a sua aparição em Araraquara se deu por essa via ou por surgimento independente. O aumento de casos em Araraquara e Jaú pode estar relacionado à variante P1, mas também à flexibilização das medidas restritivas em outras cidades, como Bauru. Independente da variante, o uso de máscaras, higiene das mãos e o distanciamento social permanecem cruciais. Eventos com aglomerações, como os ocorridos durante o carnaval, aumentam significativamente o risco de transmissão, especialmente com variantes altamente transmissíveis. A transmissão ocorre principalmente em locais sem o uso de máscaras e sem o cumprimento dos protocolos sanitários, sendo a aglomeração o principal fator de risco. A conscientização e o cumprimento das medidas de prevenção são fundamentais para controlar a pandemia, independente da variante em circulação.



