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Todo ‘corpo estranho’ na mama é um câncer? Como identificar?

Outubro Rosa é o mês com iniciativas sobre o combate à doença; ouça o oncologista Diocésio Andrade
Todo corpo estranho na mama é
Outubro Rosa é o mês com iniciativas sobre o combate à doença; ouça o oncologista Diocésio Andrade

Outubro Rosa é o mês com iniciativas sobre o combate à doença; ouça o oncologista Diocésio Andrade

O Outubro Rosa é uma campanha nacional dedicada à prevenção do câncer de mama, Todo ‘corpo estranho’ na mama é um câncer? Como identificar?, que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), deve registrar cerca de 74 mil novos casos no Brasil em 2024. As maiores taxas da doença são observadas nas regiões Sul e Sudeste do país.

Para esclarecer dúvidas comuns sobre o câncer de mama, o médico oncologista Dr. Diocese Andrade explicou aspectos importantes sobre diagnóstico, tratamento e prevenção da doença.

Indicações para retirada da mama

Dr. Diocese destacou que a retirada completa da mama não é necessária para todas as pacientes com câncer de mama. A cirurgia radical é indicada em dois casos específicos: quando há detecção de mutação genética nos genes BRCA1 ou BRCA2, que correspondem a aproximadamente 10% dos casos, e em mulheres jovens que receberam radioterapia na região do tórax para tratamento de linfoma, e que posteriormente desenvolvem câncer de mama.

Na maioria dos casos, a cirurgia conservadora é recomendada, consistindo na retirada do quadrante afetado da mama, seguida de radioterapia. Essa abordagem preserva a maior parte do tecido mamário e é eficaz para tumores de pequeno porte.

Reconstrução mamária e uso de próteses: Quanto à reconstrução mamária, Dr. Diocese afirmou que é um direito da paciente realizar a reconstrução após o tratamento do câncer de mama. A reconstrução pode ser feita imediatamente após a cirurgia ou posteriormente, especialmente quando a paciente precisa passar por radioterapia, sendo recomendável aguardar cerca de um ano após o término do tratamento para a colocação da prótese.

A decisão sobre a reconstrução depende do desejo da paciente e da viabilidade técnica. Em casos de cirurgia conservadora, pode não ser necessária a colocação de prótese, pois técnicas oncoplásticas permitem remodelar o tecido mamário remanescente para manter a estética.

Amamentação e câncer de mama: Durante a entrevista, foi confirmado que o aleitamento materno reduz o risco de desenvolvimento do câncer de mama. Isso ocorre porque a amamentação diminui os níveis hormonais, especialmente a exposição ao estrógeno, um fator de risco para tumores hormonais. Mulheres que menstruaram precocemente, entraram na menopausa tardiamente, nunca engravidaram ou não amamentaram apresentam maior exposição ao hormônio e, consequentemente, maior risco.

Além disso, mulheres que passaram por reconstrução mamária com próteses podem amamentar normalmente, desde que ainda possuam tecido glandular mamário e não tenham recebido radioterapia, que pode comprometer a função das glândulas mamárias. O uso de próteses não contraindica a amamentação, embora tratamentos complementares, como quimioterapia ou terapia hormonal, possam representar limitações temporárias.

Exames de mamografia e próteses mamárias

Dr. Diocese esclareceu que mulheres com próteses mamárias devem continuar realizando mamografias regularmente. Embora o exame possa ser um pouco mais desconfortável, não há risco de rompimento das próteses durante a compressão do exame, o que é um mito comum.

Porém, a presença da prótese pode dificultar a visualização do tecido mamário remanescente, pois a prótese ocupa espaço e pode comprimir o tecido, tornando a detecção de nódulos ou microcalcificações mais desafiadora. Apesar disso, exames realizados por profissionais experientes e em locais adequados garantem a detecção eficaz de alterações suspeitas.

É importante que pacientes jovens que considerem colocar próteses por motivos estéticos estejam cientes de que isso pode dificultar a detecção precoce de possíveis alterações malignas no futuro.

Possibilidade de cura do câncer de mama: Sobre a cura do câncer de mama, Dr. Diocese ressaltou que os avanços tecnológicos e o acesso ampliado a políticas de saúde nas últimas décadas aumentaram significativamente as chances de cura. Ele destacou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, recomendando que mulheres façam consultas regulares com ginecologistas ou mastologistas e realizem mamografias anuais a partir dos 40 anos.

O médico enfatizou que essa é a principal mensagem a ser transmitida durante o Outubro Rosa: a busca ativa por acompanhamento médico e exames preventivos é fundamental para o sucesso do tratamento e para a redução da mortalidade pela doença.

Entenda melhor

O câncer de mama é uma neoplasia maligna que pode apresentar diferentes características e tratamentos. A detecção precoce, por meio de exames regulares, aumenta as chances de cura. A cirurgia conservadora é preferida na maioria dos casos, preservando o máximo possível da mama. A reconstrução mamária é um direito da paciente e pode ser feita imediatamente ou após tratamentos complementares.

O aleitamento materno é um fator protetor importante contra o câncer de mama, reduzindo a exposição ao estrógeno. Mulheres com próteses mamárias devem continuar realizando mamografias, apesar das dificuldades técnicas que podem surgir.

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