Muitos profissionais norte-americanos têm deixado as funções de liderança; quem analisa esse cenário é David Forli Inocente
A rotatividade de CEOs nos Estados Unidos atingiu níveis alarmantes em julho, com um aumento de 67% em relação ao ano anterior e de 240% em comparação com julho de 2022, segundo dados da consultoria Challenger, Gray & Christmas. Este fenômeno, amplamente divulgado pela imprensa internacional, contrasta com a tradicional longa permanência desses executivos no cargo, que costumava ser de cerca de 12 anos.
Mudanças no Mercado e o Tempo de Permanência
A pesquisa da Challenger, Gray & Christmas indica uma queda significativa no tempo médio de permanência dos CEOs, de 12 para 6 anos. Esse dado chama a atenção, pois CEOs geralmente ocupam seus cargos por longos períodos, especialmente em empresas consolidadas e listadas em bolsa. A consultoria atribui essa mudança a diversos fatores, incluindo o desalinhamento entre resultados esperados e resultados obtidos, deslizamentos estratégicos e falta de entendimento da política organizacional da empresa.
O Papel do Conselho de Administração e as Oportunidades para Mulheres
A demissão de um CEO não é um processo arbitrário. Em empresas com conselhos de administração e uma estrutura acionária diversificada, a decisão de demitir um CEO é tomada pelo próprio conselho, representando os interesses dos acionistas. Curiosamente, as demissões de CEOs nos EUA abriram espaço para a ascensão de mulheres a esses cargos, com 30% das novas posições sendo ocupadas por mulheres. Esse dado reflete uma mudança no mercado de trabalho americano, embora a equiparação salarial entre homens e mulheres ainda seja um desafio.
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Lições para Carreiras em Liderança
Para aqueles que aspiram a posições de liderança, a experiência dos CEOs americanos serve como um alerta. A ascensão a cargos de alta responsabilidade implica maior exposição e risco. Compreender as tendências de mercado, a cultura organizacional e a importância da entrega de resultados são fatores cruciais para o sucesso e a longevidade na carreira. A capacidade de antecipar e se adaptar às mudanças é fundamental para evitar o desalinhamento entre expectativas e resultados, um dos principais motivos para a demissão de CEOs.