Informação de que grandes marcas iriam parar de comprar o couro brasileiro deixou cerca de 1500 funcionários em alerta
Preocupação em Franca com Possível Queda na Demanda de Couro
A notícia de que grifes internacionais podem interromper a compra de couro brasileiro gerou apreensão em Franca, cidade referência na produção de calçados no país. Cerca de 1.500 empregos diretos no setor de curtumes estão em risco, com temores de demissões em massa. Nos seis primeiros meses de 2023, as exportações do setor somaram R$ 15 milhões, uma queda de 40% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa redução, combinada com o anúncio da suspensão de compras por parte de 18 empresas, acendeu um sinal de alerta entre os trabalhadores.
Curtumes de Franca e a Questão Ambiental
O presidente da Associação dos Curtumes de Franca, Ivan Dradi, afirma que as empresas da cidade nunca forneceram couro para as grifes que anunciaram o boicote, negando qualquer relação com as queimadas na Amazônia. Uma empresa americana, em ofício, explicou que desde 2017 aprimora seu abastecimento global, buscando fornecedores que atendam a requisitos de produção responsável. A preocupação, segundo as marcas, é com a segurança na produção, e não necessariamente com danos ambientais no Brasil. Empresários locais reforçam a rastreabilidade do couro, garantindo que a produção não utiliza matéria-prima proveniente da Amazônia.
Impacto Econômico e Acordos Internacionais
Apesar das declarações de empresários, o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, acredita que a suspensão das compras pode ser temporária, mas que a persistência da situação pode levar outras empresas a interromper negócios com o Brasil. A preocupação se estende ao acordo comercial em negociação com a Comunidade de Países da América Latina e Caribe (CELAC), que exige comprovação de preservação ambiental para sua concretização. A Vef Corporation, controladora americana, alega que fornecedores brasileiros não garantem o compromisso com os cuidados ambientais, alimentando a insegurança no setor.
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A situação permanece delicada, gerando insegurança entre trabalhadores e empresários. A busca por soluções e o diálogo entre os diversos atores envolvidos são cruciais para minimizar os impactos negativos e garantir a sustentabilidade do setor coureiro-calçadista brasileiro.



