Os 22 profissionais foram resgatados em uma ação do MP e devem chegar em Vitória do Mearim na sexta (16)
Trabalhadores resgatados de situação análoga à escravidão em Ituverava retornam ao Maranhão
Resgate e condições de trabalho
Vinte e dois trabalhadores resgatados de uma fazenda em Ituverava, São Paulo, onde viviam em condições análogas à escravidão, já retornaram ao Maranhão. A operação, resultado de uma denúncia anônima ao Ministério Público do Trabalho (MPT), revelou um cenário de exploração e precariedade. Atraídos por uma promessa de trabalho no corte de cana com salário de R$ 130,00, os trabalhadores receberam apenas R$ 70,00, tendo ainda descontos para o transporte do Maranhão até o interior paulista. A moradia consistia em duas casas precárias, com superlotação e falta de condições mínimas de higiene e conforto. De acordo com relatos, dez trabalhadores dividiam dois quartos, dormindo em salas, corredores e cozinha, muitos sem colchões ou com estofados sujos e rasgados. A falta de chuveiro e água aquecida agravava as condições de vida.
Alimentação e rotina diária
A rotina dos trabalhadores era marcada pela privação. Antes de iniciar o trabalho no canavial, ainda de madrugada, eles preparavam arroz e ovo em um fogão improvisado, dividindo a comida em um único pote para cada dupla. Essa situação, segundo o procurador Gustavo Riso Ricardo, configura trabalho análogo à escravidão e aliciamento. A descrição detalhada da alimentação, com a divisão de um único pote de arroz e ovo entre dois trabalhadores, ilustra a extrema precariedade a que eram submetidos.
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Investigação e futuro
O MPT não divulgou o nome do empreiteiro responsável pelo transporte e alojamento do grupo, mas as investigações continuam. Após o resgate, os trabalhadores foram encaminhados à Secretaria do Trabalho em Franca, sob escolta da Polícia Federal, e tiveram seus contratos de trabalho rescindidos. O retorno ao Maranhão, previsto para sexta-feira em Vitória do Mearim, marca o fim de um período de sofrimento e exploração, mas também destaca a necessidade de combate contínuo ao trabalho escravo no país. A situação evidencia a importância de fiscalização e denúncias para proteger os direitos dos trabalhadores e garantir condições dignas de trabalho.



