Ouça o primeiro capítulo da série ‘Caminhos da Ressocialização’
O sistema prisional brasileiro enfrenta o desafio constante da ressocialização de presos. A extensa legislação penal, com penas severas para crimes graves como roubo, furto, tráfico e homicídio, leva muitos a questionar a efetividade da reinserção social após o cumprimento da pena.
O Trabalho como Ferramenta de Reintegração
Uma das principais estratégias para a ressocialização é o trabalho. A Lei de Execução Penal (LEP) de 1984 obriga o trabalho para presos em regime semiaberto. Em São Paulo, cerca de 40 mil presos nesse regime trabalham dentro ou fora das unidades prisionais, com perfis avaliados por agentes penitenciários. Esse trabalho, além de contribuir para a redução da pena (um dia a menos para cada três trabalhados), proporciona renda: parte do salário mínimo recebido por quem trabalha fora é destinada a gastos pessoais, outra parte é reservada para o fim da pena, e o restante é distribuído entre os presos que trabalham internamente.
Educação e o Caminho para uma Nova Vida
Além do trabalho, a educação também desempenha papel crucial. A Constituição Federal garante o direito à educação a todos, incluindo os presos. O Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Jardinópolis, por exemplo, oferece oportunidades de trabalho e estudo para presos em regime semiaberto, permitindo que eles se qualifiquem profissionalmente e busquem um futuro diferente. A decisão final sobre a participação em programas de trabalho e estudo, no entanto, cabe sempre ao preso.
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Desafios da Reintegração Social
Apesar dos esforços para a ressocialização, a sociedade ainda enfrenta dificuldades para acolher ex-presidiários. Há um descompasso entre a legislação que prevê a reintegração e a realidade social, que muitas vezes marginaliza e estigmatiza quem cumpriu pena. A ressocialização é um processo complexo que requer a colaboração do sistema prisional, da sociedade e do próprio indivíduo, que precisa estar disposto a mudar e a construir uma nova vida.



