Transição climática já exige mudanças em até metade dos cargos tradicionais, diz estudo
Um estudo internacional recente revelou que a transição climática está remodelando o mercado de trabalho de forma acelerada. A pesquisa aponta que uma parcela significativa dos empregos tradicionais, entre 25% e 50%, precisará evoluir para incorporar responsabilidades ligadas à sustentabilidade. Mas o que isso significa na prática?
A Lacuna entre Vagas e Sustentabilidade
Apesar da crescente mobilização global em torno do meio ambiente, impulsionada por eventos como a COP30, a pesquisa do Boston Consulting Group revela uma desconexão crucial: a sustentabilidade raramente é mencionada nas descrições de vagas. Hugo Bettlen, presidente do Capitalismo Consciente Brasil, explica que muitas empresas ainda tratam a sustentabilidade como um projeto paralelo, em vez de integrá-la à estratégia central do negócio.
Existe um receio equivocado de que adicionar responsabilidades ambientais possa afastar candidatos ou complicar as funções existentes. No entanto, o efeito é o oposto. A falta de atualização nas descrições de cargos gera desalinhamento entre expectativas e resultados, levando a uma liderança menos engajada, equipes sem clareza e uma estratégia climática mais lenta.
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O Impacto da Falta de Formalização
Apenas 1% das empresas explicitam responsabilidades ambientais em suas vagas, o que acarreta diversas consequências. A empresa perde competitividade na atração e retenção de talentos. Internamente, a ausência de formalização cria um “ponto cego” na estratégia, desconectando a sustentabilidade das metas, incentivos e avaliações de desempenho. Além disso, a falta de ênfase na sustentabilidade nas vagas pode prejudicar a reputação da empresa, transmitindo a mensagem de que o tema não é prioritário.
Preparando o Terreno para a Mudança
Setores como energia, construção, indústria e biofarma já possuem até 50% de suas posições relacionadas à sustentabilidade. No entanto, outros setores também precisam se preparar para essa transformação, focando em aprimorar os empregos existentes em vez de apenas criar novos “empregos verdes”. Isso envolve:
- Capacitação técnica: Equipes de operações, compras, logística, finanças e tecnologia precisam entender o impacto das emissões, eficiência energética, modelos de incentivo e análise de riscos climáticos.
- Liderança preparada: Líderes que não compreendem a importância do clima não podem conduzir transformações eficazes.
- Metas claras e integradas: Incorporar indicadores ambientais no orçamento e no planejamento dos processos é fundamental para mudar a cultura organizacional.
O estudo também revela que 57% dos trabalhadores estão dispostos a participar de treinamentos e requalificação, o que representa uma oportunidade para as empresas acelerarem a transição climática.
A gestão consciente pode aproveitar esse movimento criando ambientes de aprendizagem contínua, conectando a requalificação com um senso de propósito e integrando o treinamento às estratégias de negócios. Afinal, como ressalta Hugo Bettlen, o analfabeto do século XXI não é aquele que não sabe ler ou escrever, mas sim aquele que não sabe desaprender, aprender e reaprender.
Em resumo, a integração da sustentabilidade no mercado de trabalho é um processo que exige atenção e estratégia, mas que oferece inúmeras oportunidades para empresas e profissionais que buscam um futuro mais consciente e responsável.



