O transporte coletivo de Ribeirão Preto registrou mais de mil reclamações entre janeiro e junho deste ano. As queixas, recebidas pela RP Mobi, envolvem desde problemas operacionais, como atrasos e desvio de rotas, até questões relacionadas ao atendimento dos motoristas e à infraestrutura utilizada pelos passageiros.
Entre os relatos estão dificuldades de acessibilidade, falta de abrigo em pontos de ônibus e casos em que veículos deixaram de parar para o embarque de passageiros.
Queixas
A aposentada Marta Borges reclama da falta de cobertura em alguns pontos de ônibus. Segundo ela, no ponto localizado próximo ao Parque dos Lagos, na região da Rio Verde, os passageiros ficam expostos à chuva enquanto aguardam o coletivo.
Já o contador Vandilson Rotondo, que é cadeirante e utiliza o transporte público diariamente entre a Avenida Dom Pedro e o Centro, afirma que, apesar de elogiar o atendimento dos motoristas, enfrenta dificuldades com a estrutura de acessibilidade.
Ele cita problemas nas rampas de acesso e relata que, há cerca de quatro semanas, caiu durante uma travessia em um dia de chuva. Segundo Vandilson, a cadeira de rodas tombou, ele bateu a cabeça no chão e danificou o equipamento.
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Outro caso recente envolveu uma idosa de 65 anos, que caiu dentro de um ônibus logo após passar pela catraca. Ela sofreu fratura na perna e ferimentos na cabeça. A passageira afirmou que o motorista acelerou antes que ela conseguisse se sentar. O Consórcio PróUrbano informou que analisou as imagens das câmeras do veículo e não identificou irregularidades na condução.
Números das reclamações
Segundo dados da RP Mobi, foram registradas 45 reclamações de motoristas que não pararam nos pontos de ônibus.
Também houve:
- 398 reclamações relacionadas à falta de treinamento dos motoristas;
- 120 queixas sobre dificuldades de embarque e desembarque;
- 72 relatos de tratamento inadequado aos passageiros;
- 63 acidentes envolvendo ônibus.
Na parte operacional, foram contabilizadas 635 reclamações relacionadas a desvio de itinerário, superlotação e horários.
No mesmo período de 2025, haviam sido registradas 1.305 reclamações operacionais e 1.160 relacionadas ao atendimento dos motoristas.
Especialista
O engenheiro especialista em tráfego Fernando Velasses afirma que a qualidade do transporte coletivo depende não apenas da frota, mas também da atuação dos profissionais.
Segundo ele, os motoristas precisam receber treinamento contínuo para conduzir os veículos com segurança, respeitar o tempo de embarque e desembarque, auxiliar passageiros com mobilidade reduzida e cumprir corretamente os horários e as paradas previstas.
Posicionamentos
Em nota, o Consórcio PróUrbano informou que os motoristas participam de treinamentos mensais. Já a RP Mobi afirmou que todas as reclamações registradas pelos passageiros são analisadas e encaminhadas ao consórcio responsável pela operação do transporte coletivo.
Sobre as condições das rampas de acessibilidade na região central, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que realiza levantamentos técnicos para promover melhorias na infraestrutura.



