O transporte por aplicativo já faz parte da rotina de grande parte dos moradores da região de Ribeirão Preto. Uma pesquisa recente citada pela reportagem aponta que 76% da população utiliza esse tipo de serviço no dia a dia, enquanto quase 30% afirmam fazer uso recorrente.
Para o engenheiro especialista em trânsito, Anderson Mansoli, a popularidade dos aplicativos está relacionada principalmente à praticidade e à confiabilidade do serviço. Segundo ele, o modelo permite o deslocamento porta a porta e oferece ao usuário maior segurança em relação ao horário de chegada e saída.
Transporte público
Mansoli avalia que o crescimento dos aplicativos também funciona como um alerta para o transporte público. Segundo o especialista, quando muitas pessoas optam pelo serviço individual, isso pode indicar insatisfação com a eficiência dos ônibus, principalmente em relação aos horários e à capacidade de atendimento.
Ele explica que o transporte por aplicativo facilita o deslocamento, mas não reduz a quantidade de veículos nas ruas. Dessa forma, enquanto o transporte público poderia contribuir para diminuir o número de carros e os congestionamentos, os aplicativos acabam aumentando a circulação de veículos.
Outro fator apontado pelo especialista é a mudança na relação das pessoas com o automóvel. Para Mansoli, parte da população passou a enxergar o deslocamento como um serviço, e não necessariamente como uma razão para possuir um carro ou uma motocicleta.
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Mobilidade integrada
O crescimento dos aplicativos também exige planejamento urbano para questões como circulação, acessibilidade e pontos de embarque e desembarque. Segundo Mansoli, ainda é comum que motoristas parem de forma irregular ou até em fila dupla para atender passageiros, o que pode prejudicar o trânsito.
O especialista também destaca a necessidade de discutir as condições de trabalho dos motoristas de aplicativo, incluindo situações de doença e acidentes. Para ele, as questões jurídicas relacionadas à atividade precisam estar bem definidas para evitar problemas no futuro.
Cidade do futuro
Para Mansoli, Ribeirão Preto tende a continuar registrando crescimento no uso dos aplicativos enquanto o transporte público não atender adequadamente às necessidades da população. Ele ressalta, porém, que diferentes cidades podem apresentar comportamentos distintos, dependendo da qualidade e da extensão dos sistemas públicos de transporte.
O especialista defende que a mobilidade urbana seja planejada de forma integrada, com espaço para ônibus, aplicativos, bicicletas, caminhadas e automóveis. Segundo ele, cada modalidade pode atender melhor a diferentes necessidades e distâncias.
A proposta, de acordo com Mansoli, é que os meios de deslocamento não precisem competir entre si. Uma cidade com boas calçadas, ciclovias, transporte público e serviços por aplicativo poderia oferecer diferentes alternativas para que cada pessoa escolha a opção mais adequada ao próprio deslocamento.



