Ouça a coluna ‘CBN Sustentabilidade’, com Carlos Alencastre
O tratamento de esgoto no Brasil enfrenta desafios significativos, Tratamento de esgoto é o tema da coluna desta semana, especialmente em cidades de grande porte, onde a implementação de sistemas sofisticados envolve altos custos devido à necessidade de equipamentos elétricos e mecânicos complexos. Carlos Alencastre, engenheiro especialista em recursos hídricos, destaca que, embora o custo seja elevado em grandes municípios, em cidades menores o tratamento pode ser mais acessível, principalmente por meio de métodos biológicos.
Tratamento biológico como alternativa eficiente
Um exemplo amplamente utilizado no país é o sistema de lagoas de estabilização. Esse método consiste em direcionar o esgoto para lagoas onde a ação natural, por meio da insolação e do vento, promove a mineralização da matéria orgânica, melhorando a qualidade do esgoto antes de seu lançamento em rios. Esse tipo de tratamento é comum em cidades com até 100 mil habitantes e é a base do programa Água Limpa, que atende prioritariamente municípios com até 50 mil habitantes.
Vontade política como fator determinante: Alencastre ressalta que a vontade política é fundamental para a implementação e manutenção das obras de tratamento de esgoto, que geralmente ficam afastadas dos centros urbanos e podem ser pouco visíveis para a população. Segundo ele, sem essa vontade, mesmo com recursos financeiros disponíveis, o problema não é resolvido. O tratamento do esgoto traz benefícios diretos à saúde pública e à qualidade ambiental, melhorando a qualidade da água e preservando os rios.
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Aspectos culturais e educacionais influenciam o problema: Além da vontade política, o especialista aponta que a questão cultural também impacta o tratamento de esgoto no Brasil. Há uma tradição histórica de usar os rios para descarte de lixo e esgoto, prática que precisa ser revertida por meio da educação ambiental. Como exemplo, Alencastre cita o rio Tietê, em São Paulo, que apresenta níveis de oxigênio tão baixos que não suporta vida aquática, caracterizando-se como um rio morto.
Ele enfatiza que a população deve cobrar das autoridades a implementação do tratamento de esgoto para garantir um ambiente mais saudável e evitar doenças relacionadas à contaminação da água.
Perspectivas para a sustentabilidade e saneamento básico
O especialista anunciou que continuará abordando temas relacionados à sustentabilidade, destacando a importância de manter o foco na melhoria do saneamento básico no país. O tratamento de esgoto no Brasil varia conforme o porte das cidades, com métodos biológicos sendo uma alternativa eficiente e econômica para municípios menores. A vontade política e a mudança cultural são essenciais para avançar na universalização do saneamento e na preservação ambiental.
Entenda melhor
O sistema de lagoas de estabilização é uma técnica de tratamento biológico que utiliza processos naturais para reduzir a carga orgânica do esgoto. A exposição à luz solar e a circulação do vento facilitam a decomposição da matéria orgânica, tornando o efluente menos poluente antes de ser lançado em corpos d’água. Essa técnica é especialmente indicada para municípios com menor densidade populacional, devido ao espaço necessário para a construção das lagoas.



