Fernando Nobre destaca que ao longo da história tratamentos vistos como eficientes, foram desmentidos por testes científicos
O doutor Fernando, especialista em orientação cardiovascular, Tratamentos com medicamentos ou terapêuticos devem, destacou que a prescrição de medicamentos ou indicação de tratamentos corretivos deve ser resultado de uma consulta bem realizada, com exames clínicos rigorosos e complementares adequados, evitando excessos.
Ele ressaltou que, historicamente, alguns procedimentos e dietas foram adotados sem comprovação científica e posteriormente demonstraram ser equivocados. Por isso, a medicina moderna deve basear-se em evidências claras dos benefícios e segurança dos tratamentos, evitando a realização excessiva e desnecessária de exames complementares.
Importância dos estudos clínicos
Para garantir a eficácia e segurança dos tratamentos, foram criados os estudos clínicos aleatorizados, duplo-cegos e controlados por placebo. Nesses estudos, os pacientes são divididos aleatoriamente em grupos que recebem o medicamento ativo ou um placebo idêntico, sem que médicos ou pacientes saibam qual tratamento está sendo aplicado. Isso evita vieses e permite avaliar os resultados de forma confiável.
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Critérios para uso de tratamentos: Segundo o especialista, se um tratamento não demonstrar eficácia comprovada, segurança e benefícios superiores aos riscos, ele não deve ser utilizado. Ele explicou que o efeito placebo pode gerar uma falsa sensação de melhora, enquanto o efeito nocebo ocorre quando a expectativa negativa piora sintomas ou causa efeitos adversos, fenômeno observado, por exemplo, em relação à vacina contra a covid-19.
Conceitos adicionais sobre tratamentos: O médico Christopher Rajkumar, do Imperial College London, definiu dois conceitos relevantes: “cura pela fé”, quando um tratamento sem evidência clara apresenta resultados promissores, e “ansiedade de subtração”, quando pacientes tratados clinicamente, sem intervenção invasiva, apresentam resultados semelhantes. Um estudo citado mostrou que pacientes com lesão coronariana grave tratados com stent sem indicação comprovada tiveram os mesmos índices de morte e infarto que o grupo tratado apenas com medicamentos.
Panorama
O doutor Fernando conclui que exames e intervenções sem evidência documentada de benefício e segurança não devem ser aceitos. A medicina atual deve ser baseada em evidências científicas, valorizando também o conhecimento e a experiência clínica do médico. Ele alerta ainda para a má-fé consciente como a pior conduta médica.