Com o aumento da procura por praias, rios, lagos e piscinas durante as férias, cresce também o número de acidentes causados por mergulhos em locais rasos ou desconhecidos. Um dos quadros mais graves é o traumatismo raquimedular, lesão que atinge a coluna vertebral e pode comprometer a medula espinhal, provocando perda de movimentos, sequelas neurológicas permanentes e até morte.
O neurocirurgião Dr. Eduardo Quaggio explica que esse tipo de trauma ocorre principalmente após impactos na cabeça ou na coluna cervical. “Jamais se deve mergulhar de cabeça em locais desconhecidos. Muitas dessas lesões acontecem em momentos de lazer e poderiam ser evitadas com atitudes simples de prevenção”, alerta.
Gravidade e diagnóstico
O traumatismo raquimedular pode variar de lesões parciais a lesões completas da medula. Segundo o especialista, ao chegar a um serviço de emergência, o paciente passa por uma classificação imediata do grau da lesão, o que orienta exames como tomografia e ressonância magnética e define a necessidade de cirurgia.
A evolução do quadro depende de fatores como intensidade do impacto, rapidez do atendimento e qualidade do transporte da vítima. “O atendimento inicial correto faz muita diferença no prognóstico do paciente”, explica Quaggio.
Tratamentos e novas pesquisas
Além de cirurgias e cuidados intensivos, a reabilitação é parte fundamental do tratamento, com acompanhamento multiprofissional. O neurocirurgião destaca que a medicina tem avançado significativamente nas últimas décadas, com novas tecnologias e estudos promissores.
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Entre eles está a pesquisa com a substância polilaminina, desenvolvida no Brasil, que pode auxiliar na regeneração neural em casos de lesões recentes. Também há estudos sobre neuroestimulação e neuromodulação, capazes de otimizar funções neuronais preservadas, além de tecnologias experimentais que usam inteligência artificial para estimular movimentos a partir de sinais cerebrais.
Prevenção é essencial
O especialista reforça que o traumatismo raquimedular não ocorre apenas em ambientes aquáticos, mas também em acidentes de trânsito e quedas. O uso do cinto de segurança, respeito às normas de trânsito e atenção redobrada em atividades de lazer são fundamentais para reduzir os riscos.



