Denúncias dizem que crimes são praticados por encomenda e por falta de fiscalização da ALL (América Latina Logística)
O outrora vibrante sistema ferroviário brasileiro, que impulsionou o desenvolvimento de cidades e conectou regiões, enfrenta hoje um triste declínio. O abandono e a depredação de ferrovias se tornaram uma realidade preocupante, com consequências que vão além da perda de um meio de transporte.
O Crime Silencioso nos Trilhos
Em Bebedouro, interior de São Paulo, a indignação dos moradores diante da falta de fiscalização é evidente. O furto de trilhos, um crime que destrói a história, é denunciado constantemente. Thiago Mussopapo, da Associação de Ferro-modelismo, estima que mais de 110 quilômetros de trilhos já foram levados de diversas cidades da região, incluindo Barinhas, Pitangueiras, Bitiúva, Areias, Bebedouro, Barreiros, Colina e Colômbia.
A Destinação dos Trilhos Furtados
Um morador, sob anonimato, levanta a suspeita de que os crimes são realizados por encomenda. A ausência de fiscalização municipal e da empresa América Latina Logística (ALL) facilita a ação dos criminosos, que cortam os trilhos em pedaços de seis metros, indicando uma possível demanda específica. O material, feito de ferro, é facilmente vendido a receptadores, alimentando a prática e apagando vestígios da história ferroviária.
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Ações e Respostas
Em 2023, bandidos foram flagrados cortando linhas férreas na região de Rifanha, sendo que já haviam retirado 400 metros de material. A polícia foi acionada e houve troca de tiros, resultando na prisão de três homens. Em Barretos, em 2013, um caminhão com 14 toneladas de trilhos foi encontrado na zona rural, mas ninguém foi preso. A ALL informou que abriu uma sindicância para apurar os fatos e que intensificou a segurança ao longo da linha, além de apoiar projetos de preservação da memória ferroviária.
O abandono das ferrovias representa a perda de um importante patrimônio histórico e cultural, com impactos negativos no desenvolvimento regional e na memória da população.



