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Trote constrangedor pode alterar processo de inclusão em novo grupo social

Ouça a coluna 'CBN Educação para a Vida', com João Roberto de Araújo
Trote constrangedor
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Ouça a coluna ‘CBN Educação para a Vida’, com João Roberto de Araújo

O trote, tradicionalmente visto como uma celebração da entrada no ensino superior (e, em alguns casos, no ensino médio), frequentemente se desvia de seu propósito original. Em vez de acolhimento, instaura-se uma dinâmica de subserviência, onde os calouros são tratados como inferiores pelos veteranos.

A Face Violenta do Trote

A cada ano, inúmeros estudantes são submetidos a situações constrangedoras e, em casos mais graves, a lesões corporais durante as primeiras semanas de aula. O que deveria ser um rito de passagem e celebração da aprovação no vestibular se transforma em um cenário de violência e perigo.

Segundo o professor João Roberto de Araújo, essa questão está intrinsecamente ligada à competitividade exacerbada presente no vestibular, onde o veterano busca reafirmar sua superioridade em relação ao recém-chegado. Essa dinâmica, infelizmente, frequentemente se manifesta através de práticas violentas, tanto físicas quanto psicológicas, configurando uma perversão do rito de iniciação.

Ritos de Passagem: Da Celebração à Perversão

Os ritos de passagem, presentes em diversas culturas desde tempos remotos, têm como objetivo celebrar e marcar momentos importantes na vida das pessoas, representando um processo de aceitação e integração em um novo grupo social. No contexto do trote estudantil, deveria simbolizar a entrada no universo acadêmico.

Um rito de passagem saudável envolve o desapego de velhos modelos e a incorporação de novas perspectivas, superando obstáculos e desenvolvendo habilidades. No entanto, a perversão desse rito leva ao oposto: estagnação psicológica, traumas e até mesmo desistência dos estudos. A ridicularização, o abuso e a humilhação podem configurar crimes como lesão corporal, injúria e constrangimento ilegal, chegando, em casos extremos, ao homicídio.

As Raízes da Violência e o Caminho para a Humanização

Aquele que sente prazer em ridicularizar e ferir o outro, segundo o professor Araújo, carrega consigo uma ferida interna. Pessoas emocionalmente saudáveis não encontram satisfação no sofrimento alheio. A violência no trote é, portanto, uma manifestação da cultura da violência que ainda persiste em nossa sociedade.

É fundamental evoluirmos não apenas em termos de tecnologia e conhecimento, mas também no respeito ao próximo. Trotes que promovem desafios saudáveis, criam laços de amizade e acolhem os novos alunos com sensibilidade são bem-vindos. Felizmente, existem movimentos em direção à humanização do trote, buscando transformá-lo em uma verdadeira celebração de acolhimento. A educação desempenha um papel crucial nesse processo.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas a conscientização e o debate sobre o tema são passos importantes para erradicar a violência do trote e promover um ambiente acadêmico mais acolhedor e respeitoso.

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