Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A população de Ribeirão Preto enfrentou transtornos devido à interrupção do serviço de raio-x em diversas unidades de saúde na última quinta-feira. Pacientes relatam longas horas de espera sem comunicação adequada sobre o ocorrido, sendo posteriormente encaminhados para outras unidades, como a UPA da 13 de Maio.
Longa Espera e Falta de Informação
Shirley Santos Silva, repositora, foi uma das pacientes transferidas para a UPA, onde passou quase o dia inteiro com sua filha de dois anos, sem alimentação adequada. “Chegamos aqui por volta das 10h30 da manhã para passar ela pelo pouso e a médica falou que tinha que fazer raio-x. Aí falou que não estava tendo aqui, mandou nós lá para o Iabá. Ficamos lá até atrásra, porque aí a van chegou lá e buscou nós, já quase quatro horas. Só que demorou umas duas horas e meia para voltar”, relatou Shirley, evidenciando a falta de estrutura e comunicação.
Pacientes Sem Atendimento e Remarcações
Dona Maria de Jesus Martins, dona de casa, também enfrentou dificuldades para realizar o exame. “Eu vim fazer raio-x, que o posto de baixo mandou, mas não está fazendo. Eu estou aqui, eu faço duas horas. Ninguém fala nada, só mandei esperar. Disseram que eu tenho que ir lá no posto, lá de baixo, para remarcar, porque não está fazendo”, lamentou. Aposentada Meire Augusta Xavier, com diagnóstico de bronquite, também não conseguiu realizar o exame, mesmo após horas de espera.
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Profissionais Sobrecarregados e Desabafos
O pedreiro Douglas Bispo, com uma possível fratura na mão, também enfrentou a falta de informação e a demora no atendimento. “Eles não deu nem satisfação de nada, só pediu para sentar aqui. Eu estou passando mal já desde a madrugada já com esse dedo. Eles nem ligou, nem viu, nem nada”, desabafou. Em meio ao tumulto, o médico Manuel Burgos expressou sua frustração: “Aí fica realmente a situação difícil de nós examinar. Aí quando existe falhas médicas, aí a culpa é do médico. Não é da secretaria de saúde, não é da prefeitura, não é de ninguém. É só do médico que leva a bucha, porque ele não tem estrutura para trabalhar adequadamente”.
A prefeitura informou que a interrupção dos serviços de raio-x nas unidades do Quintino, Central e Castelo Branco ocorreu devido à rescisão de contrato com uma das empresas prestadoras do serviço, e que uma nova empresa será contratada. Sobre as reclamações do médico, a prefeitura afirmou que respeita a opinião do profissional e que ele deve procurar a ouvidoria da Secretaria da Saúde.
Diante dos relatos, fica evidente a necessidade de melhorias na comunicação e na gestão dos serviços de saúde para evitar transtornos e garantir o atendimento adequado à população.



