Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 775 cidades sem mulheres na Câmara; ouça o ‘De Olho na Política’
Em sete em cada dez municípios brasileiros, nenhuma mulher ocupa uma cadeira no legislativo municipal. Essa preocupante realidade, que demonstra a sub-representação feminina na política, tem sido amplamente divulgada pela mídia.
Sub-representação feminina: dados alarmantes
Dados de 2020 apontavam que apenas 16,1% das cadeiras nas câmaras municipais eram ocupadas por mulheres, enquanto os homens detinham 83,9%. Em 2024, após as eleições de primeiro turno, a situação melhorou ligeiramente, com 18,2% de mulheres e 81,8% de homens. No entanto, ainda assim, 775 municípios não elegeram nenhuma vereadora, um número inferior aos 929 de 2020, mas ainda muito distante do ideal.
Caminhos para uma maior representatividade
Para reverter esse quadro de sub-representação, especialistas apontam três caminhos principais. Primeiro, os partidos precisam repensar a composição de seus quadros políticos e garantir maior espaço para as mulheres. A democratização do acesso interno aos partidos é crucial para melhorar a representatividade feminina. Em segundo lugar, sugere-se a implementação de cotas de cadeiras no legislativo destinadas às mulheres, como forma de estímulo e incentivo. Essa medida, adotada em alguns países, visa criar uma cultura de maior acesso feminino ao parlamento. Por fim, é necessária uma transformação cultural que reconheça a capacidade e qualificação das mulheres para ocupar espaços de poder, tornando a política um reflexo mais fiel da sociedade.
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A urgência da mudança
A sub-representação feminina na política não é um fenômeno normal. Comparando o Brasil com países com sistemas políticos menos democráticos, observa-se que, em alguns casos, esses países apresentam maior representatividade feminina nos parlamentos. Essa realidade demonstra a urgência de se buscar soluções para aumentar a participação das mulheres na política brasileira, em todos os níveis, desde as câmaras municipais até o Congresso Nacional. A falta de representatividade feminina impacta a qualidade do debate público e gera uma sensação de desconexão entre a população e a política.