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Um ponto de vista sobre a análise de futebol

João Túbero aborda as possibilidades de analisar objetivamente uma partida de futebol
Um ponto de vista sobre
João Túbero aborda as possibilidades de analisar objetivamente uma partida de futebol

João Túbero aborda as possibilidades de analisar objetivamente uma partida de futebol

O programa “CBN nas Quatro Linhas” apresentou uma reflexão aprofundada sobre a análise de jogos de futebol, Um ponto de vista sobre a análise de futebol, destacando a complexidade do esporte e os limites da interpretação objetiva das partidas. O apresentador João Túbero enfatizou que a análise do futebol não deve ser entendida como uma tentativa de estabelecer uma única forma correta de interpretar o jogo, mas sim como uma busca por compreender o que pode ser analisado de forma objetiva dentro da dinâmica da partida.

Inicialmente, Túbero ressaltou que o futebol é um fenômeno marcado pela imprevisibilidade e pelo acaso, Um ponto de vista sobre a análise de futebol, elementos que tornam qualquer controle absoluto impossível. Ele criticou a visão exagerada sobre o papel dos treinadores, que muitas vezes são vistos como figuras onipotentes capazes de controlar todos os aspectos do jogo, comparando-os a jogadores de videogame que manipulam bonecos. No entanto, o apresentador exemplificou que, mesmo com estratégias coletivas bem elaboradas, o resultado final pode ser influenciado por eventos imponderáveis, como um gol inesperado nos minutos finais ou a decisão por pênaltis.

Análise do jogo coletivo: Um dos pontos centrais da discussão foi a importância de compreender o sentido coletivo do jogo de uma equipe. Túbero explicou que a simples descrição do sistema tático, como formações 3-5-2 ou 4-4-2, não é suficiente para uma análise tática profunda. É necessário interpretar o porquê das escolhas táticas, o sentido das jogadas e o que o time busca em cada momento da partida.

Para ilustrar, ele usou como exemplo a eliminação do São Paulo na Copa Libertadores contra o Botafogo. O time carioca frequentemente recuava a bola, o que irritava os torcedores, mas essa estratégia tinha um propósito: o São Paulo só pressionava o adversário quando a bola era passada para trás. O Botafogo, por sua vez, explorava essa característica para retardar a jogada e acelerar o ataque em seguida, aproveitando espaços deixados pela descompactação defensiva do adversário. Essa análise permitiu identificar uma debilidade defensiva do São Paulo e imaginar possíveis soluções, como mudar a forma de pressionar ou compactar setores, embora Túbero ressalte que tais correções são difíceis de serem implementadas rapidamente durante o jogo.

Contextualização do desempenho individual: Além da análise coletiva, o programa destacou a necessidade de contextualizar o desempenho individual dos jogadores dentro do sistema coletivo da equipe. As características e limitações individuais influenciam a forma como os jogadores executam suas funções táticas. Por exemplo, a pressão exercida por jogadores avançados pode ser atrasada devido às suas características físicas e posicionais, o que impacta a eficácia da marcação coletiva.

No exemplo do Botafogo, Túbero apontou que a disposição dos jogadores, como Thiago Almada, Savarino e Luiz Henrique, cria espaços e oportunidades para acelerar as jogadas, evidenciando uma coerência entre o jogo coletivo e as qualidades individuais dos atletas. Essa relação entre coletivo e individual é fundamental para uma análise mais completa do desempenho em campo.

Limites da análise objetiva e o papel da subjetividade

O apresentador também abordou os limites da análise objetiva, alertando para os riscos de atribuir características subjetivas ao jogo, como sentimentos ou estados emocionais dos jogadores, sem evidências concretas. Ele destacou que a distância física e a complexidade do jogo dificultam a interpretação precisa do que cada atleta sente ou pensa durante a partida.

Túbero ressaltou que o futebol é um fenômeno social e cultural, no qual a subjetividade dos torcedores e jogadores tem papel importante, como as superstições e a identificação com estilos de jogo. No entanto, essas dimensões subjetivas não devem ser confundidas com a análise técnico-tática objetiva do que ocorre em campo.

Ele criticou a tendência de explicar resultados apenas por fatores subjetivos ou por uma leitura simplista do jogo, lembrando que o resultado é apenas a última linha de um processo complexo e que a análise deve considerar todo o contexto da partida.

Complexidade e imprevisibilidade do futebol: O programa reforçou que o futebol é um esporte de alta complexidade, onde o controle total é impossível e o acaso tem papel decisivo. Mesmo equipes consideradas superiores podem ser eliminadas por detalhes imprevisíveis, como no caso do Botafogo, que, apesar de ter apresentado um futebol melhor que o São Paulo, foi eliminado nos pênaltis.

João Túbero concluiu que a análise do futebol deve ser vista como uma ferramenta para ampliar a percepção e o senso crítico dos torcedores, sem pretender oferecer uma verdade absoluta sobre o jogo. Ele destacou a importância de respeitar a complexidade do esporte e de reconhecer que a interpretação do futebol envolve múltiplas dimensões, tanto objetivas quanto subjetivas.

Entenda melhor

Para aprofundar a análise de jogos de futebol, é essencial considerar tanto o aspecto coletivo quanto o individual, bem como reconhecer os limites da interpretação objetiva diante da imprevisibilidade do esporte. A subjetividade, presente na relação dos torcedores e jogadores com o futebol, complementa, mas não substitui, a análise técnico-tática.

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