João Túbero conversa com Cristian de Souza, treinador do Botafogo-PB
Neste sábado, o programa “Nas Quatro Linhas”, da CBN Ribeirão Preto, recebeu Christian de Souza, treinador do Botafogo da Paraíba, para discutir o desenvolvimento do jogo coletivo em futebol. A conversa abordou as preferências táticas e metodológicas do treinador, a evolução das concepções de futebol e a adaptação aos diferentes contextos.
A Visão Tática de Christian de Souza
Para Christian, tática vai além de sistemas numéricos como 4-4-2 ou 3-5-2. Ele a define como comportamento, englobando ações com e sem a bola, o ambiente do vestiário e a conduta de jogadores, comissão técnica e diretoria. Seu foco está em um modelo de jogo comportamental, ético e metodológico, que considera a complexidade do futebol brasileiro.
A Importância do Aspecto Ético
O treinador destaca a importância da ética no seu modelo de jogo, enfatizando as relações interpessoais e o perfil do grupo. Para ele, a solidariedade entre os jogadores, seja na pressão alta ou na compensação posicional, é fundamental para a eficiência da equipe. A disposição para o passe, movimentos de aproximação e a adaptação ao estilo de jogo (mais direto ou mais elaborativo) são reflexos desse aspecto ético.
Leia também
Adaptação e Evolução
Christian destaca sua capacidade de adaptação a diferentes contextos, clubes e perfis de jogadores. Ele busca equilibrar a adaptação ao modelo de jogo com a geração rápida de resultados. Sua trajetória, marcada por passagens por clubes de diversas regiões e categorias, demonstra essa flexibilidade. A influência de profissionais como Vinícius Muñoz, Márcio Correia e Michel Ruff, no início dos anos 2000, foi crucial para a mudança de sua visão de futebol, que passou de uma abordagem mais conservadora para uma mais complexa e moderna, inspirada em treinadores como Mourinho e Guardiola. A experiência no Grêmio, com Paulo Othoori, também foi fundamental para sua evolução.
Christian finaliza a entrevista destacando a importância da educação no futebol brasileiro, a necessidade de profissionais mais qualificados e a busca por uma identidade própria, sem se deixar levar por modismos ou rótulos. Ele enfatiza a necessidade de um trabalho diário e constante para superar a invasão de ideias estrangeiras que, muitas vezes, não se encaixam na realidade brasileira.