Uma homenagem a Lô Borges
Hoje, nossa coluna é dedicada à saudade, às memórias afetivas que guardamos de figuras marcantes. Recentemente, nos despedimos de Loborges, ou Salomão Borges, o nome pelo qual poucos o conheciam. Fundador do Clube da Esquina, um movimento que uniu jovens talentos e nos presenteou com canções inesquecíveis, Loborges deixa um legado imenso.
A Essência do Clube da Esquina
O Clube da Esquina transcendeu a formação de um grupo musical; foi um movimento que revolucionou a música brasileira. Seu álbum homônimo é frequentemente citado como um dos melhores da história, combinando elementos da música popular, rock, jazz e a essência da música mineira. Em um período marcado pela ditadura, o Clube da Esquina ousou experimentar e expressar, como no verso de Márcio Borges: “Os sonhos não envelhecem”.
Girassóis e Trens Azuis: Poesia em Melodia
Canções como “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, composta por Loborges e com letra de Márcio Borges, revelam a profundidade poética do movimento. A letra, inspirada na esposa de Márcio, tece uma contemplação existencial sobre a vida e a morte, utilizando metáforas da natureza e uma sofisticação harmônica influenciada pelo jazz. Outro exemplo notável é “Trem Azul”, parceria de Loborges e Ronaldo Bastos, que se tornou um hino para a torcida do Cruzeiro, mas que nasceu de uma viagem de trem pela Europa.
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Um Legado Através das Gerações
A influência do Clube da Esquina perdura, alcançando novas gerações e estilos musicais. A música “Dois Rios”, do Skank, com participação de Loborges, Samuel Rosa e Nando Reis, demonstra como o legado do Clube da Esquina continua a dialogar com o presente. A união de diferentes talentos, característica marcante do Clube, permanece como um exemplo inspirador para a música brasileira.
A partida de Loborges deixa um vazio, mas sua música e o espírito do Clube da Esquina permanecem vivos, inspirando e emocionando a todos.



