João Túbero recebe Gabriel Orenga, mestrando da UNICAMP em Educação Física e Sociedade
Neste sábado, o programa Nas Quatro Linhas da CBN Ribeirão Preto discutiu a autonomia dos jogadores de futebol, um tema cada vez mais relevante no contexto atual do esporte.
A Autonomia no Futebol: Uma Questão Ética
O programa contou com a participação de Gabriel Ourenga, mestrando em Educação Física pela Unicamp, que abordou a autonomia como a capacidade do jogador de se apropriar do jogo, tomando decisões individuais dentro do campo. Ourenga destacou a importância de uma visão ética da autonomia, considerando as regras do jogo e a expressão individual dos atletas, em contraste com uma visão moralista mais rígida.
O Jogo e as Transformações Modernas
Ourenga analisou como o futebol moderno, influenciado por mudanças sociais e o uso de dados e análises de desempenho, tem diminuído a autonomia dos jogadores. A sociedade do cansaço e da transparência, descrita pelo filósofo Byung-Chul Han, foi usada como referência para entender como a pressão por desempenho e a quantidade de informações podem limitar a liberdade criativa dos atletas dentro de campo. A tática, muitas vezes vista como gestão do espaço de jogo, pode se tornar um obstáculo à autonomia se priorizar a eficiência acima da expressão individual.
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Autonomia e Intensidade: Uma Possível Convivência?
A discussão também abordou a questão da intensidade no futebol contemporâneo e se é possível devolver o jogo aos jogadores nesse contexto. Ourenga citou o trabalho de Fernando Diniz como um exemplo de como a intensidade pode coexistir com a autonomia, incentivando a tomada de decisões e a improvisação por parte dos atletas. Apesar de reconhecer a dificuldade em promover a autonomia em alto nível, Ourenga destacou a importância de estimular essa capacidade nas categorias de base, onde os jogadores estão aprendendo a jogar e a pensar o jogo de forma crítica. O programa finaliza com uma reflexão sobre as mudanças no futebol, comparando a criatividade dos jogadores brasileiros do passado com a rigidez atual, e questionando se os times de hoje são mais parecidos ou diferentes uns dos outros.