Notícias falsas relacionadas ao imunizante contra a Covid-19 influenciam nos números; infectologista Sílvia Fonseca analisa
Um relatório da Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou uma queda preocupante na vacinação infantil, a mais acentuada em quase três décadas. A crise da Covid-19 e a desinformação são apontadas como fatores contribuintes para a diminuição da cobertura vacinal contra doenças como difteria, tétano e poliomelite.
Queda na cobertura vacinal e seus impactos
Dados mostram que a proporção de crianças que receberam as três doses da vacina DTP (difteria, tétano e poliomelite) caiu de 86% em 2019 para 81% em 2021. A médica infectologista Silvia Fonseca alerta para a gravidade da situação, destacando que o problema afeta milhões de crianças em todo o mundo e no Brasil. A dificuldade de acesso à vacinação durante a pandemia, somada à falta de procura mesmo com campanhas de vacinação em horários flexíveis, contribui para o cenário crítico. A especialista também ressalta o impacto da desnutrição infantil, agravando o risco de complicações em caso de doenças como o sarampo.
Riscos do baixo índice de vacinação
A doutora Fonseca destaca o risco do retorno de doenças erradicadas, como a poliomelite, devido à baixa cobertura vacinal. Casos recentes em países como Israel e alguns africanos demonstram a possibilidade de ressurgimento da paralisia infantil. Ela também menciona o aumento de casos de sarampo e a baixa adesão à vacina contra HPV, que previne o câncer. A médica enfatiza a importância da vacinação para evitar sequelas permanentes e mortes desnecessárias.
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Vacinação contra a Covid-19 em crianças
Com a aprovação da Coronavac para crianças de 3 a 5 anos pela Anvisa, a médica celebra a possibilidade de aumentar a proteção contra a Covid-19, lembrando que diariamente duas crianças menores de 5 anos morrem vítimas da doença no Brasil. A especialista destaca a segurança e eficácia da vacina, enfatizando os benefícios da imunização em relação aos riscos. Ela também alerta contra a crença de que adquirir a infecção naturalmente é melhor que a vacinação, reforçando que a imunidade natural é mais curta e pode causar sequelas graves. A doutora finaliza incentivando os pais a procurarem os postos de saúde para vacinar seus filhos e regularizar o calendário vacinal.
A situação exige atenção imediata. A proteção da saúde infantil depende da conscientização da população e do acesso equitativo à vacinação. Ações efetivas são necessárias para reverter essa tendência preocupante e garantir um futuro mais saudável para as crianças.



