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Unidades básicas de Ribeirão Preto passam a atender casos leves de saúde mental

Mudança amplia acesso e prevê encaminhamento ao CAPS apenas quando houver necessidade
Unidades
Michelle Souza/CBN

As unidades básicas de saúde de Ribeirão Preto passam a acolher casos leves de saúde mental, que antes eram encaminhados diretamente aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A mudança busca alinhar o atendimento municipal à política nacional do Ministério da Saúde, que prevê cuidado em todos os níveis da rede pública.

Segundo o psicólogo e chefe do setor de ações programáticas em atenção especializada, Marcos Vinícius Santos, a proposta é integrar saúde mental e física, evitando a fragmentação do atendimento e ampliando o acesso da população.

Como funciona

Com a mudança, qualquer unidade básica pode receber pacientes com sofrimento mental considerado comum, como depressão leve, ansiedade leve, luto complicado, dificuldades de relacionamento e isolamento social.

O atendimento começa com acolhimento de porta aberta, sem necessidade de agendamento prévio. A partir da escuta inicial, a equipe define a frequência do acompanhamento e, se necessário, faz o encaminhamento ao CAPS ou a outro serviço especializado.

Capacitação

Para viabilizar o novo modelo, a rede municipal elaborou um manual com técnicas e ferramentas para orientar os profissionais da atenção primária. Também foram realizadas capacitações específicas.

De acordo com Marcos Vinícius, acolher pessoas em sofrimento exige escuta qualificada e preparo. “Você acolher uma pessoa que está em sofrimento realmente demanda uma disponibilidade, um cuidado, uma escuta diferenciada”, afirmou.

Ampliação do acesso

A expectativa é que a medida reduza barreiras e estimule mais pessoas a procurar ajuda. O psicólogo destacou que muitos pacientes evitam os serviços especializados por preconceito ou dificuldade de acesso.

Ele citou ainda que, entre pessoas que morreram por suicídio, apenas cerca de 30% passaram por atendimento em CAPS no ano anterior ao óbito, o que reforça a necessidade de ampliar os pontos de cuidado.

Casos urgentes continuam sendo atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), mas situações sem gravidade imediata devem ser direcionadas às unidades básicas, onde é possível garantir acompanhamento contínuo.

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