As unidades básicas de saúde de Ribeirão Preto passam a acolher casos leves de saúde mental, que antes eram encaminhados diretamente aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A mudança busca alinhar o atendimento municipal à política nacional do Ministério da Saúde, que prevê cuidado em todos os níveis da rede pública.
Segundo o psicólogo e chefe do setor de ações programáticas em atenção especializada, Marcos Vinícius Santos, a proposta é integrar saúde mental e física, evitando a fragmentação do atendimento e ampliando o acesso da população.
Como funciona
Com a mudança, qualquer unidade básica pode receber pacientes com sofrimento mental considerado comum, como depressão leve, ansiedade leve, luto complicado, dificuldades de relacionamento e isolamento social.
O atendimento começa com acolhimento de porta aberta, sem necessidade de agendamento prévio. A partir da escuta inicial, a equipe define a frequência do acompanhamento e, se necessário, faz o encaminhamento ao CAPS ou a outro serviço especializado.
Capacitação
Para viabilizar o novo modelo, a rede municipal elaborou um manual com técnicas e ferramentas para orientar os profissionais da atenção primária. Também foram realizadas capacitações específicas.
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De acordo com Marcos Vinícius, acolher pessoas em sofrimento exige escuta qualificada e preparo. “Você acolher uma pessoa que está em sofrimento realmente demanda uma disponibilidade, um cuidado, uma escuta diferenciada”, afirmou.
Ampliação do acesso
A expectativa é que a medida reduza barreiras e estimule mais pessoas a procurar ajuda. O psicólogo destacou que muitos pacientes evitam os serviços especializados por preconceito ou dificuldade de acesso.
Ele citou ainda que, entre pessoas que morreram por suicídio, apenas cerca de 30% passaram por atendimento em CAPS no ano anterior ao óbito, o que reforça a necessidade de ampliar os pontos de cuidado.
Casos urgentes continuam sendo atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), mas situações sem gravidade imediata devem ser direcionadas às unidades básicas, onde é possível garantir acompanhamento contínuo.



