Médica intensivista, Maria Auxiliadora Martins, afirma que de 70 a 80% dos pacientes internados no HC têm menos de 50 anos
O número de mortes por coronavírus em Ribeirão Preto dobrou em apenas quatro meses, atingindo a marca de 2008 vidas perdidas até 18 de maio. Somente nos três dias anteriores à publicação, foram registradas 22 mortes. A cidade enfrenta um aumento significativo de casos graves, com o número de pacientes intubados mais que dobrando em 72 horas, passando de 13 para 27.
Aumento de casos e internações
Os polos Covid da cidade, localizados na UPA da 3 de Maio, Pronto Socorro Central e UPA Norte, estão com ocupação máxima. A UPA Central, por exemplo, apresenta 100% de ocupação nos leitos de UTI e alta ocupação na enfermaria. De 192 pacientes aguardando vagas em hospitais da região, 142 são de Ribeirão Preto, demonstrando a gravidade da situação.
Sobrecarga no sistema de saúde
A prefeitura atribui o aumento de casos à circulação de pessoas e aglomerações, principalmente após o Dia das Mães. A médica intensivista do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Dra. Maria Auxiliadora Martins, relata a difícil rotina dos médicos diante do aumento de casos, com leitos de UTI lotados e pacientes mais jovens com quadros graves. A baixa rotatividade de pacientes, devido à gravidade dos casos e tempo prolongado de internação, agrava a situação. A escolha de quais pacientes serão internados é um processo difícil, priorizando aqueles com condições de transporte mais seguras.
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A terceira onda e a falta de profissionais
A Dra. Martins afirma que a cidade possivelmente está vivendo uma terceira onda, com aumento de casos e pacientes mais jovens. A variante P1 é apontada como provável causadora dessa mudança de perfil. O Hospital das Clínicas enfrenta dificuldades para manter o número de leitos de UTI abertos devido à falta de profissionais, com alguns médicos pedindo demissão por exaustão. A médica destaca que o aumento de leitos não resolve o problema sem o aumento de profissionais qualificados. A prevenção e a vacinação em massa são apontadas como medidas cruciais para controlar a situação. A falta de profissionais também impacta nos atendimentos eletivos, principalmente para pacientes com doenças graves que necessitam de atendimento imediato.


