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UPA de Sertãozinho registra três mortes em menos de um mês de funcionamento

Familiares de vítimas dizem que mortes foram causadas por graves falhas de atendimento
UPA Sertãozinho
Familiares de vítimas dizem que mortes foram causadas por graves falhas de atendimento

Familiares de vítimas dizem que mortes foram causadas por graves falhas de atendimento

A recém-inaugurada Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sertãozinho, que custou R$ 6,1 milhões, enfrenta sérias denúncias de negligência médica. Familiares de três pacientes falecidos nas últimas semanas alegam que as mortes foram causadas por falhas graves na assistência prestada na unidade.

Mortes Suspeitas Levantam Questionamentos

Um dos casos que gerou grande comoção foi a morte de uma criança de apenas 11 meses, vítima de catapora. Débora Letícia de Freitas, mãe da criança, relatou que os atendimentos na UPA eram superficiais. “Falavam que era uma simples catapora, davam injeção e mandavam para casa. A febre não abaixava, mas insistiam para repousar em casa”, desabafou. Após uma piora, a criança foi encaminhada à Santa Casa, mas já era tarde demais.

Outra morte sob investigação é a de Maria Ivone dos Santos Rodrigues, de 54 anos, que tinha histórico de alcoolismo. Segundo sua irmã, Margarida Maria dos Santos, Maria Ivone foi liberada da UPA após receber medicação para dores. “Eu estava sentindo muita dor, levei lá, tomaram esse remédio aí, deu uma injeção e aplicaram soro também. Quando eu chegou em casa morrendo, falto um bom atendimento, faltou sim para ela fazer um exame, se tivesse os exames, ela era mais certa, não é mais correto.”, lamentou Margarida.

Jovem Morre Após Múltiplos Atendimentos

No mesmo dia, Fernando Henrique Pedroso, um jovem de 18 anos, faleceu após passar três vezes pela UPA com fortes dores no estômago. Em todos os atendimentos, foi diagnosticado com dores estomacais, medicado e liberado. Luiz Carlos Tavares, tio do jovem, questiona a qualidade do atendimento: “Eu achei que o médico não deu aquela pensão devida, entendeu? Porque o menino passou lá uma hora da manhã e quando foi liberou para ir para casa, depois o menino deitou e morreu. Então eu não entendo aqui a leitura do médico aqui, mas pelo que eu vi uma olhada nos altos aqui, o médico falhou muito, entendeu? Faltou uma assistência mais detalhada e o pai pediu para internar, para acompanhar mais de perto.” A família suspeita de infecção por apendicite.

Apuração e Resposta da Secretaria de Saúde

Diante das denúncias, a secretária de Saúde de Sertãozinho, Rita Montenegro, informou que uma sindicância interna foi instaurada para apurar a conduta de médicos e enfermeiros. Ela explicou que a UPA absorveu casos de média complexidade que antes eram tratados na Santa Casa, e que a unidade segue um sistema de classificação de risco para priorizar os atendimentos. O delegado superintendente do Cremesp, Piangelo Mário Sart, confirmou que o órgão solicitou a abertura de sindicância para investigar possíveis irregularidades na conduta médica.

A UPA de Sertãozinho, inaugurada em 1º de atrássto, recebe mensalmente R$ 900 mil da prefeitura e da União. A centralização dos serviços de urgência e emergência, segundo moradores, pode ter contribuído para a queda na qualidade do atendimento.

As investigações em curso buscam esclarecer as circunstâncias das mortes e determinar se houve falhas na assistência prestada, visando aprimorar os serviços de saúde oferecidos à população.

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