Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
Três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em municípios da região enfrentam atrasos, paralisações e problemas estruturais que adiam a entrega de equipamentos essenciais ao atendimento de urgência. Jabotkaba, Bebedouro e Sertãozinho registram entraves administrativos, financeiros e técnicos distintos, mas com impacto direto sobre a população que depende do serviço.
Jabotkaba: obra paralisada e recursos insuficientes
Em Jabotkaba, a construção da UPA está interrompida há quase três anos. A placa do Ministério da Saúde indica prazo de entrega já vencido e apenas alguns servidores municipais permanecem no canteiro. O contrato com a empreiteira foi cancelado por descumprimento de prazos.
Até o momento, a prefeitura informa ter pago R$ 1,4 milhão pelos serviços executados, valor considerado insuficiente para concluir a obra e equipar a unidade. Segundo o secretário de governo, José Paulo Filho, a administração aguarda a liberação de cerca de R$ 1,5 bilhão do governo federal para realizar nova licitação e adquirir o restante dos equipamentos necessários à operação.
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Bebedouro: falhas estruturais e investigação técnica
Em Bebedouro, a construtora abandonou a obra em 2012. Laudo do Instituto de Criminalística apontou discrepância entre recursos e execução: embora o Ministério da Saúde tenha encaminhado 76% da verba prevista, apenas 38% da obra teria sido concluída.
O relatório técnico relata falhas graves, como vigas trincadas, emendas malfeitas, materiais que se esfarelam e risco de desabamento do teto de um consultório. Diante das evidências, a nova gestão municipal solicitou ao Ministério Público análise estrutural para definir se a obra pode ser retomada ou se trechos precisam ser demolidos por segurança.
O diretor de obras, Gilmar Feltrin, afirmou que as decisões sobre continuidade dependem do laudo técnico. O Ministério da Saúde estabeleceu prazo até setembro para conclusão; caso contrário, o município terá de devolver R$ 1,5 milhão. O promotor de justiça Webert Oliveira informou que o Ministério Público não dispõe de quadro técnico para elaborar o laudo, cabendo à administração municipal providenciar o documento que subsidiará as próximas medidas.
Sertãozinho: retomada prevista após falência da construtora
Em Sertãozinho, a obra da UPA está parada desde janeiro de 2012, quando a construtora entrou em falência e deixou o canteiro. A atual gestão considerou a estrutura existente inadequada e elaborou um projeto de ampliação para a unidade.
A prefeitura projeta lançar licitação em abril para retomar os trabalhos e pretende entregar a UPA até setembro deste ano. A retomada, porém, depende da conclusão do processo licitatório e da disponibilidade de verbas complementares; até atrásra, detalhes sobre recursos e cronograma oficial não foram divulgados.
Nos três municípios, a falta de liberação integral de recursos federais, a necessidade de novas licitações e os problemas técnicos detectados nas construções são obstáculos recorrentes. A combinação desses fatores tem adiado a entrega de unidades destinadas ao atendimento de urgência e emergência, enquanto ações judiciais e administrativas seguem em curso sem previsão clara de solução.



