Quem explica a aplicação do sinal de pontuação é a mestra em linguística, Lígia Boareto, na coluna ‘CBN Papo Certo’
Neste artigo, exploraremos as nuances da vírgula na língua portuguesa, focando em um caso específico que pode gerar dúvidas: a separação do sujeito e do verbo. Utilizaremos como base uma música de Chico Buarque para ilustrar a questão.
Sujeito Oracional: A exceção à regra
A regra gramatical tradicional afirma que não se deve separar o sujeito do verbo com vírgula. No entanto, há uma exceção: quando o sujeito é oracional, ou seja, quando ele é formado por uma oração subordinada substantiva subjetiva. Essa construção, embora possa parecer complexa, é mais comum do que se imagina.
A música de Chico Buarque e a vírgula
Na música de Chico Buarque, a frase “Quem brincava de princesa acostumou na fantasia” exemplifica esse caso. “Quem brincava de princesa” funciona como um sujeito oracional, e a vírgula após “princesa” é facultativa, mas gramaticalmente correta. Isso porque temos duas orações: uma que funciona como sujeito (“quem brincava de princesa”) e outra que funciona como predicado (“acostumou na fantasia”). A vírgula marca a pausa entre essas duas orações.
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A vírgula e a ambiguidade
A colocação da vírgula em sujeitos oracionais, especialmente aqueles que usam a palavra “quem”, pode evitar ambiguidades. Por exemplo, em “Quem ama cobra”, a vírgula após “ama” é importante para esclarecer se a frase se refere a alguém que ama cobras ou a alguém que cobra algo de quem ama. A vírgula torna o significado inequívoco.
Em suma, a utilização da vírgula em casos de sujeito oracional é um detalhe sutil, mas importante para a clareza e precisão da escrita. Compreender essa exceção à regra tradicional contribui para um domínio mais completo da pontuação e da construção de frases na língua portuguesa. A análise de exemplos concretos, como a música citada, facilita a assimilação desse conceito.