Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
Antigamente, durante meu treinamento em cardiologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, no final da década de 1970, a idade era um fator importante para descartar a possibilidade de infarto. Era comum atender pacientes com dor no peito e, ao saber que tinham, por exemplo, 22 anos, a suspeita de infarto era quase descartada. Hoje, essa realidade mudou drasticamente.
O Crescente Problema do Infarto em Jovens
Infelizmente, muitos jovens ao redor do mundo sofrem infarto, com alta mortalidade, devido ao consumo de drogas, principalmente cocaína. O Brasil se destaca negativamente nesse cenário. O consumo de cocaína no país mais que dobrou nos últimos 10 anos, sendo quatro vezes maior que a média mundial e o maior nas Américas do Sul e do Norte. Em 2005, 0,7% das pessoas entre 12 e 65 anos usavam cocaína, número que subiu para 1,75% em 2011. Além disso, mais de 15 milhões de pessoas na América do Sul consomem maconha regularmente, com o Brasil novamente liderando essa estatística.
Os Efeitos Devastadores das Drogas no Coração
Além do consumo de cocaína e maconha, o uso de crack tem crescido de forma alarmante. O Brasil ocupa o primeiro lugar no consumo de crack e o segundo no uso de cocaína. Todas essas drogas causam dependência, levando a depressão, ansiedade, agressividade e outros comportamentos que induzem ao uso contínuo. No coração e na circulação, o uso dessas substâncias aumenta os batimentos cardíacos, a pressão arterial e os fatores de coagulação, elevando o risco de infarto e derrame cerebral.
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Degradação Moral e Afetiva
Além dos danos físicos, o uso de drogas causa degradação moral e afetiva. Atitudes abomináveis e crimes hediondos são frequentemente associados ao uso de drogas, como vemos diariamente na imprensa. Um exemplo recente é o caso de uma mãe que abandonou seus quatro filhos devido ao vício em crack, demonstrando a devastação que essa dependência pode causar.
É essencial que a sociedade e os governos reflitam sobre as consequências do crescente consumo de drogas ilícitas. As pessoas precisam de piedade, ajuda, apoio e tratamento, mais do que punições legais.



