O golpe do falso advogado voltou a fazer vítimas e tem se tornado cada vez mais sofisticado. O alerta é do advogado Fernando Moreira. Segundo ele, criminosos utilizam dados reais de processos e ferramentas de inteligência artificial para aplicar fraudes por WhatsApp, simulando comunicações oficiais e cobrando falsas taxas judiciais.
Como funciona?
De acordo com o especialista, o golpe surgiu em 2018, após a digitalização em massa dos processos judiciais. Com o acesso facilitado aos autos digitais, golpistas passaram a abordar vítimas se passando por advogados.
Agora, a fraude ganhou um novo patamar com o uso de inteligência artificial. Os criminosos produzem mensagens formais, sem erros de português, criam petições falsas e até boletos muito semelhantes aos emitidos por tribunais. A abordagem geralmente envolve senso de urgência e pedido de pagamento imediato via Pix para “liberar valores” supostamente ganhos em ações judiciais.
“Não caia no senso de urgência. Praticamente todos esses golpes se valem disso”, alerta Fernando Moreira.
Sinais de alerta
O advogado orienta que o principal cuidado é verificar o destinatário do pagamento. Custas judiciais devem ser pagas ao tribunal competente, e honorários, diretamente ao advogado ou escritório contratado.
Leia também
A recomendação é nunca confiar apenas no nome exibido em boletos e sempre conferir os dados do recebedor ao digitar a chave Pix ou CNPJ. Em caso de dúvida, a pessoa deve ignorar a mensagem e entrar em contato pelo telefone que já possui do profissional ou do escritório, e não pelo número informado na conversa suspeita.
Se cair no golpe
Caso a vítima já tenha feito a transferência, a orientação é agir rapidamente. Desde fevereiro de 2026, está em operação o MED 2.0, mecanismo especial de devolução do Banco Central do Brasil para fraudes via Pix.
É fundamental contestar imediatamente a transação no extrato bancário para acionar o rastreamento do dinheiro. Em seguida, deve-se registrar boletim de ocorrência, inclusive pela delegacia virtual, e comunicar a instituição financeira.
Se não houver solução administrativa, é possível recorrer ao Procon, ao Banco Central e ao Judiciário. Para valores de até 20 salários mínimos, a ação pode ser proposta no Juizado Especial mesmo sem advogado. Acima disso, ou para pleitear danos morais e lucros cessantes, a orientação jurídica é recomendada.
“Tem que ser rápido, porque em menos de uma hora o dinheiro pode passar por várias contas”, ressalta o advogado.



