O uso de ferramentas de inteligência artificial já faz parte da rotina de quase metade da população do estado de São Paulo. Um levantamento da Fundação Seade citado na entrevista mostra que recursos como ChatGPT, Copilot e Gemini são utilizados principalmente para trabalho, estudos e atividades pessoais.
Ao mesmo tempo em que a tecnologia ganha espaço, empresas também passam a incorporar agentes de inteligência artificial às operações. Para o especialista em IA aplicada a negócios Stênio Purcena, a tendência exige que os profissionais desenvolvam habilidades para utilizar essas ferramentas em suas próprias áreas de atuação.
Mercado de trabalho
Segundo Stênio, a inteligência artificial não necessariamente vai substituir empregos. Para ele, a diferença estará entre profissionais que souberem utilizar a tecnologia e aqueles que não desenvolverem essa habilidade.
O especialista afirma que a IA trouxe velocidade para atividades operacionais. Tarefas que anteriormente levavam horas podem ser realizadas em minutos, mas ainda dependem da atuação humana para manipulação e análise crítica dos resultados.
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No mercado de trabalho, essa velocidade também pode ser aplicada ao atendimento. Em serviços como vendas de imóveis, consórcios e planos de saúde, por exemplo, ferramentas de IA podem responder rapidamente a pessoas interessadas em produtos e serviços, reduzindo o tempo entre o pedido de uma cotação e o atendimento.
Uso da IA
A inteligência artificial também deixou de ser utilizada apenas como ferramenta de pesquisa e passou a executar tarefas dentro das organizações. Segundo o especialista, já é possível instalar sistemas de IA em computadores para analisar conteúdos e apresentar informações sobre produtos, como os que tiveram maior ou menor volume de vendas.
O levantamento da Fundação Seade aponta que o uso é maior entre jovens de 18 a 29 anos, faixa em que quase 75% utilizam a tecnologia. Entre pessoas com ensino superior, o percentual chega a 64%, enquanto entre aqueles com renda familiar de cerca de dez salários mínimos alcança 73%.
Entre as pessoas que ainda não utilizam inteligência artificial, os principais motivos apontados são desconhecimento sobre como utilizar as ferramentas, com 28%, falta de confiança, também com 28%, e desconhecimento sobre para que elas servem, com 18%.
Fator humano
Apesar do avanço da tecnologia, Stênio alerta para a necessidade de manter o fator humano na utilização da inteligência artificial. Segundo ele, a tecnologia ainda não consegue substituir uma análise crítica e não deve ser utilizada como referência para decisões que dependam de aspectos emocionais e comportamentais.
O especialista também afirma que a IA deve ser utilizada como uma ferramenta de apoio, e não como substituta das pessoas. Para ele, profissionais que se especializarem no uso de ferramentas como GPT, Claude e Gemini poderão se diferenciar no mercado de trabalho.
A avaliação é de que a inteligência artificial tende a se tornar cada vez mais presente na vida das pessoas, assim como ocorreu com o celular e o smartphone. O alerta, segundo Stênio, é para que a tecnologia seja utilizada para impulsionar as atividades, sem que as pessoas passem a confiar integralmente nela.



