Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 10% dos brasileiros adultos sofrem de problemas renais; médico nefrologista explica
O uso frequente e indiscriminado de medicamentos, Uso indevido de medicamentos pode causar sérios danos aos rins, especialmente anti-inflamatórios, pode causar danos significativos aos rins, alertam especialistas. O nefrologista Dr. Henrique Carrascó explica que o consumo excessivo desses medicamentos pode levar à insuficiência renal, um quadro grave e muitas vezes irreversível.
Os anti-inflamatórios possuem substâncias que interferem no fluxo sanguíneo renal, reduzindo a irrigação do órgão. “É como se estivéssemos tirando o sangue do rim”, explica o médico. Essa redução provoca um processo de isquemia, ou falta de oxigenação, que resulta na morte das células renais, chamadas néfrons. Cada rim possui cerca de um milhão de néfrons, responsáveis por funções vitais como a filtragem do sangue e a regulação hormonal. A perda progressiva dessas células compromete o funcionamento renal.
Além do uso prolongado de anti-inflamatórios, outras condições como hipertensão e diabetes podem acelerar a perda dos néfrons. “Com a idade, é normal perdermos néfrons, mas algumas doenças e o uso indiscriminado de medicamentos aceleram esse processo”, afirma o especialista. A insuficiência renal decorrente dessa perda é irreversível, o que torna a prevenção fundamental.
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Riscos do uso indiscriminado de medicamentos
O acesso fácil a anti-inflamatórios sem prescrição médica contribui para o uso inadequado. Muitas pessoas mantêm uma “farmácia na gaveta” e compartilham remédios com familiares e amigos, o que pode agravar os riscos. Dr. Carrascó destaca que o uso frequente desses medicamentos para dores comuns, como de cabeça ou nas costas, pode comprometer a saúde renal a longo prazo.
Importância do acompanhamento médico e exames: Para proteger os rins, é essencial que o uso de medicamentos seja orientado por um profissional de saúde. O médico recomenda que o uso de anti-inflamatórios por conta própria não ultrapasse dois a três dias. Em casos de procedimentos odontológicos ou outras situações específicas, o uso por alguns dias pode ser necessário, mas sempre com acompanhamento médico.
Além disso, o acompanhamento regular da função renal por meio de exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue e análise de urina, é fundamental para detectar precocemente qualquer alteração. “Doenças renais crônicas podem ser silenciosas e só serem identificadas em exames de rotina”, alerta o nefrologista.
Cuidados para manter a saúde renal: Além do controle do uso de medicamentos, o especialista destaca a importância de manter doenças como hipertensão e diabetes sob controle rigoroso, seguindo as orientações médicas e realizando exames periódicos. A hidratação adequada é outro fator crucial para a saúde dos rins, especialmente em períodos de calor intenso, quando há maior risco de desidratação.
A desidratação reduz a vascularização renal, comprometendo a função dos néfrons. Idosos são especialmente vulneráveis, pois podem não sentir sede adequadamente. O consumo de bebidas alcoólicas também é prejudicial, pois tem efeito diurético e pode levar à desidratação se não houver reposição adequada de líquidos.
Entenda melhor
- Néfrons: São as unidades funcionais dos rins responsáveis pela filtragem do sangue e regulação de substâncias no organismo.
- Isquemia renal: Condição causada pela redução do fluxo sanguíneo, levando à falta de oxigênio e morte celular no rim.
- Insuficiência renal: Estado em que os rins não conseguem mais desempenhar suas funções, podendo ser irreversível.
- Creatinina: Exame de sangue utilizado para avaliar a função renal.



