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Uso moderado de álcool realmente ajuda na redução do risco ‘cardiovascular’?

Uso moderado de álcool realmente ajuda na redução do risco 'cardiovascular'?
risco cardiovascular
Uso moderado de álcool realmente ajuda na redução do risco 'cardiovascular'?

Uso moderado de álcool realmente ajuda na redução do risco ‘cardiovascular’?

Olá a todos os ouvintes da CBN. Durante décadas, a crença de que o consumo moderado de álcool poderia reduzir o risco cardiovascular foi amplamente aceita. No entanto, novas evidências têm lançado dúvidas sobre essa premissa.

A Revisão das Evidências

Um estudo de 1993 praticamente confirmou os benefícios do álcool para o coração. Contudo, uma revisão recente das evidências disponíveis adota uma postura mais cautelosa. A Associação Americana de Cardiologia atrásra reforça a importância de hábitos saudáveis, como exercícios regulares, evitar o tabaco e manter um peso saudável, questionando se o álcool realmente se encaixa em um estilo de vida saudável.

Novas Metodologias e Desafios

Dados de estudos recentes, com metodologias inovadoras, desafiam a ideia de que qualquer nível de consumo de álcool traga benefícios à saúde. A Dra. Marion Payan, nos Estados Unidos, enfatiza que a proteção contra doenças arteriais coronarianas atribuída ao consumo moderado de álcool era baseada em estudos com pouco rigor científico. Anteriormente, considerava-se um limite de duas doses diárias para homens e uma para mulheres (equivalente a 250 ml de vinho, 600 ml de cerveja ou 90 ml de destilados, e metade para mulheres). Análises agregadas mostravam reduções de risco de 10 a 15% em comparação com a abstinência. No entanto, as novas metodologias sugerem pouca ou nenhuma proteção, ou até mesmo danos. Além disso, qualquer benefício potencial é anulado quando consumidores moderados adotam um padrão de consumo compulsivo intermitente.

Implicações para a Saúde Cardiovascular

A Associação Americana de Cardiologia reconhece que o consumo moderado de álcool pode proporcionar alguma redução no risco de doença coronariana, angina e infarto, embora essa redução seja menos evidente em estudos mais rigorosos. Para a insuficiência cardíaca, o consumo baixo a moderado de álcool parece neutro, sem efeitos benéficos ou prejudiciais. No entanto, mesmo o consumo moderado pode aumentar a pressão arterial em pacientes hipertensos, elevando o risco de AVC. No caso de arritmias, a abstinência ou o baixo consumo podem ser mais benéficos do que o consumo moderado ou excessivo, especialmente na redução da fibrilação atrial, uma arritmia relacionada ao AVC.

Embora o foco principal seja a saúde cardiovascular, diversas organizações de saúde adotam uma visão mais ampla dos riscos, alertando que as bebidas alcoólicas não são seguras para a saúde, especialmente em relação ao câncer. É importante reconsiderar a mensagem pública de que o consumo de álcool é benéfico para a saúde cardíaca.

Ao orientar pacientes, os riscos do consumo excessivo devem ser enfatizados, embora o consumo social e moderado possa ser aceitável para alguns. A questão crucial é definir o que é “beber socialmente” e se o consumo de álcool é realmente seguro. Em caso de dúvida, a prudência é a melhor escolha.

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